Autor de disparos em jantar de gala em Washington criticou Trump em mensagens à família
Hoje 10:29
— Lusa/AO Online
Por
essa razão, as autoridades norte-americanas acreditam cada vez mais que o
ataque teve motivações políticas, indicou um agente da autoridade
próximo da investigação, que solicitou o anonimato, citado pela agência
noticiosa The Associated Press (AP).As
mensagens, enviadas pouco antes dos disparos no sábado à noite no
Washington Hilton, faziam repetidas referências ao atual Presidente dos
Estados Unidos, Donald Trump, sem o mencionar diretamente e incluíam
queixas sobre uma série de ações governamentais e acontecimentos
recentes, incluindo ataques norte-americanos a barcos de tráfico de
droga no Pacífico Leste, declarou o agente.Os
investigadores estão a tratar as mensagens, juntamente com uma série de
publicações nas redes sociais e entrevistas com familiares, como
algumas das provas mais claras até agora sobre o estado de espírito e os
possíveis motivos do suspeito.As
autoridades descobriram também o que o agente descreveu como inúmeras
publicações contra Trump nas redes sociais ligadas ao suspeito, Cole
Tomas Allen, um engenheiro mecânico de 31 anos do estado da Califórnia,
acusado de tentar passar a segurança do jantar transportando várias
armas.O irmão de Allen contactou a polícia de New London, no estado do Connecticut, após receber as mensagens, segundo o responsável.Num
comunicado, o Departamento de Polícia de New London indicou que foi
contactado às 22:49 de sábado (03:49 de hoje em Lisboa), cerca de duas
horas após o tiroteio, por um indivíduo que queria partilhar informações
relacionadas com o caso, e que imediatamente notificou as autoridades
federais.A polícia federal entrevistou
também, no estado de Maryland, a irmã de Allen, que disse aos
investigadores que o irmão tinha comprado legalmente várias armas numa
loja na Califórnia e as tinha guardado na casa dos pais, em Torrance,
sem o conhecimento deles.Ela descreveu o irmão como propenso a fazer declarações radicais, indicou o responsável citado pela AP.Allen
adquiriu legalmente uma pistola semiautomática de calibre 38 milímetros
em outubro de 2023 e uma espingarda de calibre 12 dois anos depois.As
autoridades ainda estão a tentar determinar quão específicos eram os
alegados alvos de Allen: os investigadores estão a analisar se as suas
críticas e queixas se centravam em Trump e no vice-presidente
norte-americano, JD Vance, pessoalmente ou se refletiam uma hostilidade
mais generalizada em relação ao Governo.Pensa-se
que Allen tenha viajado de comboio da Califórnia para Chicago e depois
para Washington, D.C., onde se hospedou com alguns dias de antecedência
no hotel onde decorreria o jantar de gala, com o seu habitual
dispositivo de segurança reforçado, disse o procurador-geral interino,
Todd Blanche.Pensa-se que terá agido sozinho, e será na segunda-feira presente a tribunal para ser informado das acusações criminais.Depois
de entrevistarem familiares de Allen e analisarem os aparelhos
eletrónicos e as mensagens do atirador, os agentes policiais acreditam,
numa avaliação preliminar, que este pretendia atacar os membros do
Governo presentes no jantar.Tentou invadir
o enorme salão de baile do Washington Hilton, mas foi derrubado, numa
cena violenta que resultou em tiros, Trump a ser retirado apressadamente
do palco ileso e os convidados a protegerem-se debaixo das mesas.“Parece
que ele pretendia realmente atacar as pessoas que trabalham no Governo,
provavelmente incluindo o Presidente”, declarou o procurador-geral
interino ao programa “Meet the Press”, da estação televisiva NBC.