Autonomia de Açores e Madeira garantida no plano estratégico da PAC 2023/2027
12 de nov. de 2021, 18:24
— Lusa/AO Online
“Importa hoje, na Madeira,
deixarmos bem claro que, sendo um instrumento único para o país [o
PEPAC], vamos garantir a autonomia às regiões autónomas”, declarou Maria
do Céu Antunes.A governante deslocou-se
hoje à Madeira para se reunir com elementos do Governo Regional e com as
associações representativas do setor “para discutir as linhas finais”
deste plano, que será submetido a consulta pública na próxima semana,
estando previsto ser enviado à Comissão Europeia para avaliação em 2022,
para ser implementado em 2023.“Estamos na
fase final de um plano estratégico para a construção da Política
Agrícola Comum (PAC) para este novo ciclo de investimento e é a primeira
vez que Portugal tem um instrumento único que vai servir o continente e
as regiões autónomas”, salientou.A
responsável realçou que este acordo, alcançado durante a presidência
portuguesa da Comissão Europeia, foi construído para “corresponder às
especificidades de todas as regiões do país”. Esta
é “a reforma mais ambiciosa dos últimos 30 anos”, acrescentou,
preconizando uma “maior ambição climática e ambiental” e uma reforma
para garantir o rendimento aos agricultores e na qual “todos se revejam
nas políticas a implementar”.“Foi graças
às diligências do Governo português, durante a presidência portuguesa
[da UE], que conseguimos garantir, através do pacote nacional dos
pagamentos diretos, o envelope financeiro para o POSEI [Programa de
Opções Específicas para fazer face ao Afastamento e à Insularidade],
mantendo o nível de apoio que tinha até então”, sublinhou.Maria
do Céu Antunes disse que o Governo teve a preocupação de garantir que o
POSEI “ficasse fora do plano estratégico da PAC” e “não fosse afetado”.“Do
ponto de vista do desenvolvimento rural, o orçamento será aumentado em
cerca de 4%”, disse, adiantando que “a chave de repartição é a mesma e a
utilizada com o Plano de Recuperação e Resiliência, que afeta à Madeira
7,3% das verbas”.A ministra destacou que os montantes da PEPAC “ainda não estão fechados”. “As
RUP [Regiões Ultraperiféricas] não podem ficar diminuídas no âmbito do
POSEI e conseguimos, no seio do acordo final, que esse montante não
fosse diminuído. Cada estado-membro, do seu orçamento, ia garantir que o
POSEI e Portugal assume com as suas regiões autónomas que esse
orçamento vai ser conseguido”, vincou.Por
seu turno, o secretário da Agricultura da Madeira, Humberto Vasconcelos,
manifestou a “satisfação” do executivo madeirense pelo acordo
alcançado, que, considerou, cumpre “o objetivo da região não perder
verbas em relação ao anterior quadro”.O
governante insular enunciou que a Madeira vai contar com 15 milhões de
euros do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), 4 ME este ano e 11 ME
em 2022, e vai manter os 28 ME anuais do POSEI [programa gerido pelo
executivo regional que apoia diretamente a agricultura).A estes acresce o Proderam - Programa de Desenvolvimento Rural, que a Madeira também vai continuar a beneficiar.“O importante aqui é que neste PEPAC, no plano regional, as verbas estão garantidas”, concluiu Humberto Vasconcelos.