Autarquias da Terceira reforçam informação para tranquilizar população apreensiva com crise sísmica
16 de abr. de 2024, 14:42
— Lusa/AO Online
“As
pessoas estão apreensivas. De certa forma, vão-se habitando aos sismos,
mas sempre com algum receio. Quando faz um sismo não ficam muito
assustadas, porque sabem que foi de magnitude pequena, mas ficam sempre
receosas de que a seguir faça um maior”, adiantou, em declarações à
Lusa, Mário Cardoso, presidente da Junta de Freguesia do Raminho, uma
das mais afetadas pela crise sísmica.Desde
24 de junho de 2022 que a atividade sísmica no vulcão de Santa Bárbara,
na ilha Terceira, se encontra “acima dos valores normais de
referência”, segundo o Centro de Informação e Vigilância Sismovulcânica
dos Açores (CIVISA).Nos últimos meses, o número de sismos sentidos pela população aumentou, assim como a intensidade dos eventos.O
maior foi registado a 14 de janeiro, com magnitude 4,5 na escala de
Richter, tendo provocado uma derrocada na freguesia do Raminho, bem como
o derrube de muros em terrenos agrícolas e pequenas fissuras em
algumas casas.Ainda assim, o CIVISA mantém
o nível de alerta científico para a caracterização do estado da
atividade sismovulcânica em V2 (possível reativação do sistema — sinais
de atividade moderada), numa escala de 0 a 6.Nas
últimas semanas, o presidente da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo,
responsável máximo da Proteção Civil municipal, tem promovido sessões
de esclarecimento em várias freguesias.Segundo
Marco Alves, presidente da Junta de Freguesia da Serreta, na mesma zona
da ilha, a sessão de esclarecimento contribuiu para acalmar a população
que “estava mais nervosa”.“O
esclarecimento que houve aqui em várias freguesias contribuiu muito,
porque assim ficaram a perceber mais um bocadinho do que se estava a
passar”, explicou.Numa freguesia com
população mais envelhecida, são muitos os que viveram o sismo de 1980,
de magnitude 7,2 na escala de Richter, que provocou estragos
significativos e vítimas na ilha.É
sobretudo quem tem memória desse evento que “tem mais receio”, mas Marco
Alves acredita que a população está hoje em dia mais “preparada”.“Domingo
fez um sismo de magnitude 3,6. A maior parte da população estava numa
coroação no pavilhão multiúsos da freguesia. […] Ficou tudo calado, mas
ninguém fugiu porta fora, nem desatou aos gritos. As pessoas estão um
pouco calmas”, revelou.Para além de
reforçar a informação, a junta de freguesia tem reunido com frequência
com as autoridades de Proteção Civil e já fez um levantamento da
população mais idosa e com maiores dificuldades de mobilidade.No
Raminho, Mário Cardoso também tem redobrado a informação sobre as
medidas a tomar em caso de sismo, mas acredita que a população está hoje
mais consciente.“As pessoas hoje em dia
têm alguma sensibilidade para o assunto. Não é preciso estar a explicar
as coisas básicas que têm de fazer. Eu sinto que elas têm essa noção”,
explicou, acrescentando que quem viveu o sismo de 1980 comporta-se “de
forma mais calma, não se pondo em risco”.A
Câmara Municipal instalou um sismógrafo no Raminho e reforçou a junta
de freguesia com equipamento para intervenção em caso de
catástrofe, como um gerador.Outra das
preocupações das duas freguesias é o acesso de uma para a outra,
condicionado desde o sismo de 14 de janeiro, que levou ao encerramento
da principal estrada que as ligava devido a uma derrocada.“É
tudo passado por um caminho alternativo, que tem condições mínimas de
passagem, mas não nos garante a continuidade territorial a que estávamos
habituados”, apontou Mário Cardoso.Os
transportes públicos não passam no caminho alternativo e o desvio obriga
a percorrer uma distância maior, o que preocupa a população, quando
está em causa o acesso de meios de socorro.“As
crianças que estudam na escola dos Biscoitos têm de se levantar muito
mais cedo e chegam muito mais tarde a casa”, alertou Marco Alves.O
Governo Regional dos Açores prevê lançar ainda este mês o concurso para
o projeto de intervenção na encosta, mas a obra será demorada.Estão também previstas para este mês obras de melhoria no percurso alternativo.