Autarca do Porto critica Governo por não transferir gestão do RSI de toxicodependentes
21 de mar. de 2023, 08:50
— Lusa/AO Online
"Todos
os casos de RSI relativos a pessoas com doenças crónicas, nomeadamente
HVI, e toxicodependentes ficam na Segurança Social e é por isso que isto
não é nenhuma descentralização", afirmou o autarca independente durante
a Assembleia Municipal do Porto, que decorreu esta noite. Na
sessão, maioritariamente centrada no debate das novas competências na
ação social, fruto do processo de descentralização, Rui Moreira defendeu
que a gestão dos processos de RSI relacionados, sobretudo, com os
toxicodependentes deveria passar para as autarquias. "A
meu ver, [a Segurança Social] mantém os processos que a câmara devia
passar a poder administrar até para os conhecer melhor", afirmou,
acrescentando que se a toxicodependência "é apenas um problema social",
então "as competências sociais vão se manter na mesma Segurança Social
que até hoje não tem resolvido nada". "O
que nos vão dizendo é que, na questão da toxicodependência, a câmara
deveria intervir a nível da questão social, mas [os processos] dos
toxicodependentes não passam para nós. Não acham que há aqui algo de
estranho?", questionou. Dizendo que o
debate em torno desta matéria deveria denunciar "que o rei vai nu", Rui
Moreira disse desconhecer a razão pela qual estes processos não foram
transferidos para as autarquias. "Se é
para manter lugares na Segurança Social? Isso não sei. Se é para manter
os escritórios da Segurança Social e os técnicos que não querem passar
para nós? Não sei. O que sei é que esses [processos], em que de facto
havia uma razão muito plausível para passar para nós, não passam",
acrescentou. A Assembleia Municipal do
Porto discutiu hoje a celebração de oito protocolos com instituições da
cidade para a gestão dos processos de RSI e Serviço de Atendimento e
Acompanhamento Social (SASS), no âmbito do processo de descentralização
de competências. A 06 de dezembro, a
Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) solicitou a
prorrogação da transferência obrigatória de competências na ação social
de janeiro para abril, pedido que foi aceite pelo Governo, disse à Lusa a
secretária de Estado da Inclusão.