Autarca do Funchal defende revisão urgente das transferências do Estado para autarquias
28 de out. de 2021, 12:58
— Lusa/AO Online
Pedro
Calado, que falava na abertura das jornadas parlamentares do PSD/CDS-PP
da Madeira, que decorrem na Universidade da Madeira, considerou que se
vive atualmente um “período muito difícil de governação do país” na
sequência do chumbo do Orçamento de Estado para 2022 (OE2022), na
quarta-feira, na Assembleia da República.O
autarca do Funchal, apontando uma análise que realizou às
transferências do OE para os municípios e freguesias da Madeira e
Açores, disse ter constatado “uma difícil realidade”.“Já
abordamos a necessidade de revermos urgentemente a Lei de Finanças
Regionais. Mas é necessário e urgente olharmos também para as
transferências do OE para os municípios e autarquias e todas as
freguesias”, sublinhou.Considerando que a
Madeira e os Açores “têm uma realidade muito semelhante”, Pedro calado
disse, contudo, que as transferências do Estado não “acompanham a
dimensão” do número de habitantes das duas regiões.O
presidente do principal município da Madeira recordou que, com base nos
Censos 2021, a Madeira tem uma população residente na ordem das 251 mil
pessoas e os Açores 237 mil, e destacou que os municípios madeirenses
estão a receber menos 40 milhões de euros por ano do que os açorianos.De
acordo com a análise feita por Pedro Calado, “nos últimos 21 anos,
“foram cerca de 710 milhões de euros que os Açores receberam a mais”. Se
a esta verba for acrescentado o valor das transferências no âmbito da
lei das Finanças Regionais canalizadas para os municípios e freguesias,
disse, “só nos últimos nove anos há uma diferença de 793 milhões de
euros”.No seu entender, esta é “uma situação inexplicável” e que deve ser “revista urgentemente”.Também
sustentou que os municípios das regiões autónomas “não podem ser
tratados como um qualquer distrito ao nível nacional”, uma vez que estes
têm um envolvimento diferente do regional.“Há
uma necessidade urgente de tratar de forma semelhante aquilo que é
diferente, em termos geográficos e de população”, defendeu.Falando
sobre a situação do município do Funchal que agora preside, argumentou
que a realidade atual “é difícil”, considerando que “há muita coisa por
fazer, sobretudo em termos de mobilidade”, água, saneamento básico e da
qualidade de vida dos cidadãos.Por seu
turno, o líder parlamentar do CDS/Madeira, António Lopes da Fonseca,
realçou que “o povo da Madeira e do Porto Santo acreditou e continua a
acreditar nesta solução de governação” de uma coligação entre os dois
partidos, que é “de estabilidade e de sucesso, que fez com que a
situação no Funchal se revertesse, neste último ato eleitoral”.“Foram
tempos difíceis para toda a população, sobretudo para as famílias e
empresas da região, mas o Governo, neste clima de estabilidade e coesão,
soube ultrapassar, indo ao encontro das necessidades sociais e
económicas, quer das famílias quer das empresas e, tudo isto, foi
possível à custa do esforço financeiro dos madeirenses e
porto-santenses”, declarou.Segundo Lopes
da Fonseca, “vivemos tempos de incerteza quanto ao futuro, agora ainda
mais devido ao chumbo do Orçamento de Estado”.Nestas
jornadas parlamentares PSD/CDS-PP está em discussão o “Next Generation
EU – Plano de Recuperação, uma nova oportunidade”, servindo a iniciativa
para “assinalar o arranque da nova Sessão Legislativa influenciada pela
necessidade de retomar a recuperação após o período mais agudo da
pandemia e de aproveitar os mecanismos e os instrumentos europeus
disponibilizados pela União Europeia para ultrapassar as consequências
sociais e económicas”.