Autarca do Corvo nega despedimentos na ilha devido aos prejuízos
Furação Lorenzo
17 de dez. de 2019, 16:19
— Lusa/AO Online
Ouvido na
Comissão de Economia do parlamento açoriano, o presidente da Câmara do
Corvo esclareceu que, até ao momento, tem havido constrangimentos no
abastecimento à ilha do Corvo, mas que ainda não se pode avançar que há
prejuízos, esclarecendo que não estão em causa despedimentos, como
avançou o deputado único do PPM/Açores, Paulo Estêvão.Há
uma semana, Paulo Estêvão denunciou, durante o plenário na Assembleia
Legislativa Regional, que as dificuldades no abastecimento da ilha
podiam levar a um despedimento de oito trabalhadores de uma empresa de
construção civil, número que considerou, na altura, "muito
significativo" para uma ilha como o Corvo, onde residem apenas cerca de
460 pessoas.José Manuel Silva esclareceu
que a empresa José Carlos Silva, Unipessoal, continua a trabalhar e que
“já tinha definido que a partir de dia 16 a empresa encerraria para
férias de Natal”, tendo antecipado essas férias para dia 13.O
“atraso de material causou dificuldades, a empresa teve que se adaptar,
mas, concretamente, em termos de prejuízos, não creio que isso tenha
acontecido”, prosseguiu.Para os restantes
empresários da ilha, o cenário é semelhante, tendo o autarca socialista
avançado que, para os comerciantes da ilha, “tudo o que estava atrasado
ou em falta chegou num barco de maiores dimensões”, mas que estes terão
uma quebra na faturação, já que houve alturas em que “as prateleiras
estavam vazias”.Também os constrangimentos
no transporte de gado vivo não causaram, até ao momento, nenhum
problema de maior aos agricultores da ilha, que ainda não tiveram de
recorrer a alimentos alternativos às pastagens, mas essa necessidade
“poderá surgir mais tarde”, durante o inverno.Durante
a passagem do furacão Lorenzo pelos Açores, no início de outubro, foram
registadas 255 ocorrências e 53 pessoas tiveram de ser realojadas.O
furacão causou a destruição total do porto das Lajes das Flores,
estimando-se que o prejuízo registado possa ascender, neste caso, a mais
de 190 milhões de euros.Os danos causados
no porto comercial das Lajes das Flores, principal porta de entrada,
por via marítima, de mercadoria do grupo ocidental, colocou dificuldades
no abastecimento às ilhas das Flores e do Corvo.No total, o mau tempo provocou prejuízos de cerca de 330 milhões de euros no arquipélago, segundo o Governo Regional dos Açores.