Autarca do Corvo acusa Governo dos Açores de manipulação devido a danos do mau tempo
4 de out. de 2024, 17:58
— Lusa/AO Online
“Nem
a Proteção Civil municipal, nem os bombeiros voluntários tiveram
conhecimento dos prejuízos que o Governo Regional tornou públicos. Isto
foi uma manipulação da opinião pública, uma pura desconsideração pelos
corvinos, que ficaram estupefactos”, afirmou José Manuel Silva, em
declarações à agência Lusa.Na
quinta-feira, em comunicado, o Governo Regional indicou
que a tempestade que tinha assolado o Corvo de madrugada causou danos
avaliados em cerca de 200 mil euros em estradas, edifícios públicos e
habitações.Classificando aquela
comunicação como um "autêntico exagero", o autarca do único município da
ilha disse “sentir-se na obrigação de repor a verdade”.“Não
podemos brincar com coisas sérias para eventualmente tirar proveitos
políticos ou outros quaisquer [proveitos] à conta destas situações.
Sejamos honestos e tratemos destes assuntos com dignidade e respeito”,
reforçou.José Manuel Silva especificou que o mau tempo não causou danos na estrada leste da ilha.“Não
é verdade que na estrada leste tenha havido uma derrocada. Ainda ontem
[quinta-feira] à noite me desloquei com o senhor presidente da
associação agrícola para confirmar o que tinha sido feito. Não é
verdade. A estrada estava completamente limpa, nem uma pedra na
estrada”, reforçou.O presidente da Câmara
Municipal da mais pequena ilha açoriana desmentiu ainda a existência de
quatro habitações com “telhados danificados pela chuva e pelo vento”,
detalhando que “apenas uma casa ficou bastante afetada”.A
situação, garantiu, ficou “resolvida” com a “pronta e rápida reação dos
bombeiros e funcionários municipais”, tendo-se procedido à limpeza do
local e construído uma cobertura provisória com a intervenção de um
empreiteiro local.“Quando chegaram as
brigadas das secretarias regionais das Obras Públicas e do Ambiente e
outras já estava tudo resolvido”, assinalou.Relativamente
à unidade de saúde, o autarca assegurou que a água só entrou “porque
algumas janelas foram abertas pelo vento”, enquanto no polidesportivo
existem infiltrações “há muitos anos”.“Toda
a gente sabe que o polidesportivo tem infiltrações de água há muitos
anos que nunca foram resolvidas. Portanto, não foi esta situação
meteorológica que aconteceu que fez com a água entrasse no
polidesportivo”, disse.O presidente da
Câmara Municipal ressalvou, contudo, que “não está a minimizar” os
efeitos do temporal, mas apelou a que “não se criem exageros”, nem
“alarmismos”, dizendo que o município e os bombeiros não sabem como foi
feita a avaliação dos prejuízos.“Como é
que em menos de 12 horas já estão contabilizados os prejuízos e
avaliados em 200 mil euros? Quem foram os peritos que fizeram essa
avaliação? Como é que se chega a essa avaliação em doze horas? Há aqui
algum aproveitamento para que algumas situações que, não tendo sido
resolvidas anteriormente, possam ser agora”, denunciou.Quanto
questionado, José Manuel Silva afirmou que “se calhar foi o aproximar
das eleições autárquicas” que motivou o “aproveitamento político”.“Não
brinquemos com coisas sérias. Os corvinos merecem respeito. Esta
manhã fui abordado por muitas pessoas a perguntar o que é que passou e a
dizer que não viram nada. Não conseguiram ver a relação entre o
comunicado do governo e a verdade do que viram no terreno”, insistiu.Ainda
antes da divulgação do comunicado do executivo açoriano na
quinta-feira ao final da tarde, a porta-voz do Conselho do Governo
Regional Maria João Carreiro, que tutela a Juventude, Habitação e
Emprego, já tinha anunciado a ocorrência de uma derrocada, quatro casas
danificadas e danos no polidesportivo e unidade de saúde devido ao mau
tempo.