Autarca do Corvo acusa deputado do PPM de envergonhar os locais
2 de jan. de 2020, 19:30
— Lusa/AO online
“Depois
da imagem passada do Corvo para o exterior da visita do Presidente da
República, ele envergonha-nos, porque é a única voz que fala mal da
forma como os corvinos receberam o Presidente da República e da forma
como o Presidente da República se comportou”, afirmou o autarca
socialista em declarações à agência Lusa.Este
ano, e pela primeira vez, a mensagem de Ano Novo do Presidente da
República foi transmitida a partir do Corvo, a ilha mais pequena do
arquipélago dos Açores, onde Marcelo Rebelo de Sousa fez a sua passagem
de ano, com os habitantes da ilha açoriana, a 1.890 quilómetros de
Lisboa.Em comunicado de imprensa, o
deputado do Partido Popular Monárquico (PPM) no parlamento açoriano,
eleito pelo círculo eleitoral do Corvo, acusou o chefe de Estado de se
deixar instrumentalizar pelos interesses do PS dos Açores, considerando
um "fracasso monumental" o jantar da passagem de ano no Corvo."Em
virtude de Marcelo Rebelo de Sousa se ter deixado raptar e
instrumentalizar pelos interesses do Partido Socialista, o jantar de fim
de ano constituiu um fracasso monumental. Não estiveram presentes mais
de seis dezenas de residentes na ilha do Corvo. Isto no âmbito de uma
população que soma mais de 430 pessoas", advogou Paulo Estêvão na
quarta-feira.Em reação, o autarca do Corvo acusou o deputado do PPM de ter ido “longe demais” e de ter faltado à verdade. “Eu
acho que o fracasso monumental é ele envergonhar os corvinos da maneira
que o fez. Essas declarações só podiam vir de alguém que, não sendo
corvino, conseguiu ver no Corvo um sítio para projetar o seu ego
político e pessoal”, criticou.José Manuel
Silva disse que Paulo Estêvão “faltou ao respeito” ao Presidente da
República, dizendo que as suas afirmações “foram falsas”, acrescentando
que o deputado monárquico conotou Marcelo Rebelo de Sousa com questões
políticas, “quando a visita não teve rigorosamente nada a ver com isso”.“Acho
que enganou os corvinos, porque horas antes da chegada do Presidente da
República, ele deu uma conferência de imprensa a dizer que iria exercer
toda a sua influência junto do Presidente da República para a resolução
de alguns problemas que afetam o Corvo e os corvinos. Isso não
aconteceu. O senhor escondeu-se completamente. Não apareceu nas ruas
enquanto o Presidente da República esteve no Corvo”, acusou.Segundo
o autarca, o jantar da passagem de ano estava efetivamente previsto
para 240 pessoas e “os lugares não foram todos ocupados”, mas estiveram
no local “entre 160 a 170” pessoas e não as seis dezenas apontadas pelo
deputado monárquico.“Termos 150 pessoas
num jantar, numa comunidade de 430, estamos a falar de mais de um terço
da população da ilha, sendo que nesta altura há muitas pessoas que saem
para passar o Natal e a passagem de ano noutros sítios”, frisou.José
Manuel Silva adiantou que o tempo “bastante rigoroso” levou a que
algumas pessoas tenham acabado por ficar em casa, acrescentando que o
luto afastou também vários habitantes.“Há
um fenómeno que pesa muito na cultura corvina que foi o facto de este
ano terem falecido nove pessoas e os familiares diretos e alguns até
mais indiretos respeitam o luto e não participam em festas, nem mesmo em
festas religiosas”, sustentou.