Autarca de Vila Franca do Campo vai recorrer da sentença que o condenou por prevaricação
5 de abr. de 2025, 10:23
— Lusa/AO Online
Ricardo
Rodrigues foi condenado a uma pena suspensa de três anos e
quatro meses de prisão por prevaricação e à perda de mandato.“Na
sequência da decisão do tribunal de primeira instância, de que
naturalmente recorrerei, acho que o lugar mais adequado para esclarecer
os vilafranquenses e tomar uma posição definitiva sobre essa matéria,
será a próxima Assembleia Municipal, que se realizará no próximo dia 10
de abril [quinta-feira]”, disse Ricardo Rodrigues à agência Lusa.E
prosseguiu: “Terei oportunidade de me dirigir à Assembleia Municipal e
também a todos os vilafranquenses, dizendo o que tenciono fazer sobre [o
processo] e na sequência dessa sentença do tribunal de Vila Franca do
Campo”.O presidente da Câmara Municipal de
Vila Franca do Campo, na ilha de São Miguel, estava acusado dos crimes
de prevaricação e abuso de poder.Em causa
está a concessão do espaço de restauração da Rotunda dos Frades a Luís
Rodrigues, irmão do autarca, um caso que remonta a 2018, quando a
Procuradoria-Geral da República abriu um inquérito àquele ato.O
Tribunal de Vila Franca do Campo considerou que Ricardo Rodrigues
praticou os atos “com dolo” em “benefício do familiar”, tendo condenado o
autarca a três anos e quatro meses de prisão, pena suspensa na sua
execução e a perda de mandato.O autarca
disse à Lusa que espera que a decisão judicial do tribunal de primeira
instância seja revertida pelo Tribunal da Relação, alegando que a sua
consciência “está tranquila”.“Tenciono
tomar algumas medidas, entretanto, e não esperar pelo Tribunal da
Relação. Mas, anunciarei [essas medidas] na próxima Assembleia
Municipal, que se realizará no dia 10 de abril”, rematou, sem
especificar.Além do presidente Ricardo
Rodrigues, o tribunal condenou também o vereador da autarquia Carlos
Pimentel a uma pena suspensa de dois anos e oito meses de prisão, pelo
crime de prevaricação, e também a perda de mandato.Quanto
a Luís Rodrigues, irmão do presidente da autarquia, foi condenado a uma
pena suspensa de três anos e quatro meses de prisão também pelo crime
de prevaricação.Durante a leitura da
sentença, a juíza disse que existiu “um plano concertado” dos arguidos
para a atribuição do espaço de restauração ao familiar do autarca de
Vila Franca.Segundo a juíza, "não restam dúvidas de que existiu conluio" para que Luís Rodrigues explorasse o restaurante.O
autarca esteve a ser julgado após o Tribunal da Relação de Lisboa ter
revertido a deliberação do juiz de instrução criminal de Ponta Delgada,
que tinha decidido, em 09 de outubro de 2023, não pronunciar o
socialista por aqueles crimes, dando assim provimento ao recurso
apresentado pelo Ministério Público.Durante
o julgamento, em janeiro, Ricardo Rodrigues rejeitou qualquer
interferência para, alegadamente, favorecer o irmão na adjudicação da
exploração do espaço.O autarca, que cumpre
o último mandato à frente da câmara, justificou que o objetivo era "um
projeto de interesse" para a população e "prioritário" para o concelho,
no sentido de dotar o recinto das Festas do São João, que atraem
milhares de visitantes a Vila Franca do Campo, de boas condições
infraestruturais.Na leitura da
sentença, a juíza disse que Ricardo Rodrigues "tentou convencer o
tribunal que não deu conhecimento prévio ao irmão" sobre a exploração do
espaço de restauração."Não é plausível
que numa vila tão pequena, e sendo os envolvidos familiares e
conhecidos, que nada se soubesse em relação às intenções do arguido em
concorrer à concessão do espaço e que a autarquia preparava um
concurso", apontou.Ainda segundo o Tribunal de Vila Franca do Campo, os arguidos "sabiam que a sua atuação era proibida" por lei.