Autarca de Vila Franca do Campo renuncia ao cargo após condenação por prevaricação
11 de abr. de 2025, 09:34
— Lusa/AO Online
"Na
última reunião de câmara, que ocorreu quarta-feira, informei os senhores
vereadores que seria a última reunião em que estava como presidente da
câmara. Hoje, por maioria de razão, aqui venho dizer, também, que é a
última Assembleia Municipal em que estou presente como presidente da
câmara", disse Ricardo Rodrigues (PS), na sessão da Assembleia Municipal
realizada e transmitida 'online'.O
autarca referiu que já tinha anunciado publicamente que iria abandonar a
presidência desta autarquia da ilha de São Miguel antes do termo do
mandato, mas a decisão judicial conhecida na passada sexta-feira, também
influenciou a decisão."E, sem prejuízo do
recurso que irei interpor, - e até ao fim ser sempre presumido inocente
-, considero que é adequado da minha parte, não por razões jurídicas e
de impossibilidade do exercício da função, mas sim por vontade própria,
dizer que vou sair e renunciarei, a seu tampo, ao mandato", afirmou.Ricardo
Rodrigues explicou aos deputados municipais que será a "seu tempo"
porque tenciona fazer a transferência de pastas para a vice-presidente e
para o elenco camarário, mas, salientou que "são mais uns dias", até
abandonar a liderança do executivo."Se, na câmara, anunciei que não iria presidir a mais nenhuma reunião da câmara, daí se pode tirar ilações de prazos", concluiu.O
presidente da autarquia de Vila Franca do Campo também disse que
continua de "consciência tranquila", mas isso não é suficiente:
"Portanto, assumo, naturalmente, que a renúncia ao mandato é o melhor
para o concelho, é o melhor para mim, é o melhor para as instituições".O
autarca socialista, que cumpre o último mandato à frente da câmara,
estava acusado dos crimes de prevaricação e abuso de poder.Em
causa está a concessão do espaço de restauração da Rotunda dos Frades a
Luís Rodrigues, a um seu irmão, um caso que remonta a 2018, quando a
Procuradoria-Geral da República abriu um inquérito àquele ato.O Tribunal de Vila Franca do Campo considerou que Ricardo Rodrigues praticou os atos "com dolo" em "benefício do familiar".Além
do presidente Ricardo Rodrigues, o tribunal condenou também o vereador
da autarquia Carlos Pimentel a uma pena suspensa de dois anos e oito
meses de prisão, pelo crime de prevaricação, e também a perda de
mandato.Quanto a Luís Rodrigues, irmão do
presidente da autarquia, foi condenado a uma pena suspensa de três anos e
quatro meses de prisão também pelo crime de prevaricação.O
autarca esteve a ser julgado após o Tribunal da Relação de Lisboa ter
revertido a deliberação do juiz de instrução criminal de Ponta Delgada,
que tinha decidido, em 09 de outubro de 2023, não pronunciar o
socialista por aqueles crimes, dando assim provimento ao recurso
apresentado pelo Ministério Público.Durante
o julgamento, em janeiro, Ricardo Rodrigues rejeitou qualquer
interferência para, alegadamente, favorecer o irmão na adjudicação da
exploração do espaço.O autarca justificou
que o objetivo era "um projeto de interesse" para a população e
"prioritário" para o concelho, no sentido de dotar o recinto das Festas
do São João, que atraem milhares de visitantes a Vila Franca do Campo,
de boas condições infraestruturais.Na
leitura da sentença, a juíza disse que Ricardo Rodrigues "tentou
convencer o tribunal que não deu conhecimento prévio ao irmão" sobre a
exploração do espaço de restauração.Ainda segundo o Tribunal de Vila Franca do Campo, os arguidos "sabiam que a sua atuação era proibida" por lei.