Autarca de Vila Franca do Campo rejeita em tribunal favorecimento a irmão
21 de jan. de 2025, 15:23
— Lusa/AO Online
O
autarca está a ser julgado pela prática dos crimes de prevaricação e
abuso de poder devido à concessão de um espaço de restauração, após o
Tribunal da Relação de Lisboa ter revertido a deliberação do juiz de
instrução criminal de Ponta Delgada, que tinha decidido, a 09 de
outubro de 2023, não pronunciar o socialista por aqueles crimes, dando
assim provimento ao recurso apresentado pelo Ministério Público (MP).Além
de Ricardo Rodrigues, estão ainda a ser julgados outros dois arguidos,
sendo um deles vereador da Câmara de Vila Franca do Campo e o irmão do presidente da autarquia.A 03 de agosto de 2022, o Ministério Público tinha acusado o presidente
da autarquia de Vila Franca do Campo e o vereador, à data dos factos,
com o pelouro das Obras Públicas, Águas e Saneamento, Carlos Pimentel,
dos crimes de prevaricação e abuso de poder.Em
causa está a concessão da exploração de um espaço destinado à
restauração a uma associação constituída pelo irmão do presidente da
autarquia, Luís Rodrigues.O caso remonta a
2018, quando a Procuradoria-Geral da República abriu um inquérito sobre
a concessão de um espaço de restauração construído pela Câmara de Vila
Franca do Campo, em São Miguel, à Associação Amigos de Vila Franca do
Campo.Entre finais de 2017 e início de
2018, os arguidos terão "delineado um plano” para que a concessão do
espaço de restauração da Rotunda dos Frades fosse “assegurada” a Luís
Rodrigues.Esta terça-feira, na primeira sessão do
julgamento, o autarca assegurou que “nunca comentou” antecipadamente com
o irmão a abertura do procedimento concursal, acrescentando que só teve
conhecimento dos concorrentes "no dia após o término do concurso".Ricardo Rodrigues sublinhou que “nunca” falou com o irmão, “nem com terceiros” sobre “assuntos que são estreitamente da Câmara”.Ainda
segundo o autarca, o irmão também "nunca" lhe falou sobre nada, embora
tenha admitido que o familiar questionou Ricardo Rodrigues sobre o que
seria construído no espaço."Aquilo servia
para depósito de lixo e desqualificava a entrada de Vila Franca do
Campo. E era normal que as pessoas questionassem sobre o que seria feito
no local", sustentou.O autarca, que
cumpre o último mandato na autarquia, justificou que o objetivo era "um
projeto de interesse" para a população e "prioritário" para o concelho,
no sentido de dotar o recinto das Festas do São João, que atraem
milhares de visitantes a Vila Franca do Campo, de boas condições
infraestruturais."Eu decido as coisas e
depois encaminho para os departamentos próprios da autarquia e não tinha
conhecimento que o meu irmão estava envolvido no concurso", vincou.E, prosseguiu, "o que fiz de mal, onde está o meu erro?Segundo
o MP, chegou a surgir um outro interessado em concorrer à exploração,
mas só obteve os elementos solicitados à Câmara (como a cópia do projeto
de arquitetura, pareceres e alvarás) quando faltava “uma hora e meia
para o termo do prazo do concurso”, razão pela qual “não apresentou
proposta”.Ricardo Rodrigues garantiu que
foi fixado um prazo curto para o concurso, porque este teria de ser
feito "o mais rapidamente possível, tendo em conta a proximidade, a
cerca de quatro meses", do arranque das Festas do São João, rejeitando
que a autarquia tenha alegadamente procurado diminuir a possibilidade de
serem apresentadas outras propostas.O
inquérito iniciado em 2018 surgiu na sequência de uma participação que o
PSD fez junto do MP sobre a concessão daquele espaço junto à Rotunda
dos Frades “a familiares de membros” da maioria socialista do executivo
municipal.O julgamento prossegue, nos próximos dias.