Autarca de Vila Franca do Campo condenado a pena suspensa e perda de mandato por prevaricação
4 de abr. de 2025, 13:45
— Lusa/AO Online
Em
causa está a concessão do espaço de restauração da Rotunda dos Frades a
Luís Rodrigues, irmão do autarca, um caso que remonta a 2018, quando a
Procuradoria-Geral da República abriu um inquérito àquele ato.O
presidente da Câmara Municipal de Vila Franca do Campo, na ilha de São
Miguel, que esteve a ser julgado desde janeiro, estava acusado dos
crimes de prevaricação e abuso de poder devido à concessão do espaço.O
Tribunal de Vila Franca do Campo considerou que Ricardo Rodrigues
praticou os atos “com dolo” em “benefício do familiar”, tendo condenado o
autarca a três anos e quatro meses de prisão, pena suspensa na sua
execução e perda de mandato.Além do
presidente da Câmara Municipal de Vila Franca do Campo, o tribunal
condenou também o vereador da autarquia Carlos Pimentel a uma pena
suspensa de dois anos e oito meses de prisão, pelo crime de
prevaricação, e também a perda de mandato.Quanto
a Luís Rodrigues, irmão do presidente da Câmara Municipal de Vila
Franca do Campo, foi condenado a uma pena suspensa de três anos e quatro
meses de prisão também pelo crime de prevaricação.Durante
a leitura da sentença, a juíza disse que existiu “um plano concertado”
dos arguidos para a atribuição do espaço de restauração ao familiar do
autarca de Vila Franca.Segundo a juíza, "não restam dúvidas de que existiu conluio" para que Luís Rodrigues explorasse o restaurante.O
autarca esteve a ser julgado após o Tribunal da Relação de Lisboa ter
revertido a deliberação do juiz de instrução criminal de Ponta Delgada,
que tinha decidido, em 09 de outubro de 2023, não pronunciar o
socialista por aqueles crimes, dando assim provimento ao recurso
apresentado pelo Ministério Público (MP).
Na leitura da sentença, a juíza referiu que a
atribuição do espaço ao irmão do autarca “não foi um mero acaso”,
acrescentando que “o plano foi delineado pelos arguidos”.Durante
o julgamento, em janeiro, Ricardo Rodrigues rejeitou qualquer
interferência para, alegadamente, favorecer o irmão na adjudicação da
exploração do espaço.O autarca, que cumpre
o último mandato à frente da câmara, justificou que o objetivo era "um
projeto de interesse" para a população e "prioritário" para o concelho,
no sentido de dotar o recinto das Festas do São João, que atraem
milhares de visitantes a Vila Franca do Campo, de boas condições
infraestruturais.Na leitura da
sentença, a juíza disse que Ricardo Rodrigues "tentou convencer o
tribunal que não deu conhecimento prévio ao irmão" sobre a exploração do
espaço de restauração."Não é plausível
que numa vila tão pequena, e sendo os envolvidos familiares e
conhecidos, que nada se soubesse em relação às intenções do arguido em
concorrer à concessão do espaço e que a autarquia preparava um
concurso", apontou.Para o tribunal, "os arguidos agiram para propiciar condições do objetivo almejado por Luís Rodrigues". Ainda segundo o Tribunal de Vila Franca do Campo, os arguidos "sabiam que a sua atuação era proibida" por lei."Os
factos indiciários são graves e a cedência resultou de um plano",
sustentou ainda a juíza, tendo acrescentado que Ricardo Rodrigues "tinha
perfeito conhecimento das regras", pois exerceu advocacia durante anos.O
caso remonta a 2018, quando a Procuradoria-Geral da República abriu um
inquérito sobre a concessão de um espaço de restauração construído pela
Câmara de Vila Franca do Campo, em São Miguel, à Associação Amigos de
Vila Franca do Campo.O inquérito iniciado
em 2018 surgiu na sequência de uma participação que o PSD fez junto do
MP sobre a concessão daquele espaço junto à Rotunda dos Frades “a
familiares de membros” da maioria socialista do executivo municipal.