Autarca de Vila Franca acusado de prevaricação pede abertura de instrução
7 de nov. de 2022, 16:07
— LUSA/AO Online
"Está feito o pedido", adiantou à agência Lusa o autarca.Em
agosto, o Ministério Público (MP) acusou o presidente da Câmara de Vila
Franca do Campo dos crimes de prevaricação e abuso de poder, segundo um
despacho a que a Lusa teve acesso na altura.Na ocasião, o autarca afirmou “não ser razoável condenar as pessoas antes” de o caso ser “apreciado por um juiz”. “Antes
da apreciação do juiz, vou manter-me em funções. Faz parte das regras. O
MP omitiu alguns factos. Não vou dizer que intencionalmente, mas omitiu
alguns factos para que a sua versão tenha consistência”, disse.Hoje,
em declarações à Lusa, o autarca justificou o pedido de abertura de
instrução reiterando "falta de fundamento da acusação".A
instrução é uma fase facultativa do processo comum em processo penal,
dirigida pelo juiz de instrução, através da qual se decide se o
inquérito deve ser arquivado ou se, ao invés, deve ser submetido a
julgamento.Em causa está a concessão da
exploração de um espaço destinado à restauração a uma associação
constituída pelo irmão do presidente da autarquia, Luís Rodrigues, e
pelo marido da ex-vereadora socialista Nélia Guimarães.Nélia Guimarães e o ainda vereador na autarquia Carlos Pimentel estão igualmente acusados daqueles crimes pelo MP.O
caso remonta a 2018, quando a Procuradoria-Geral da República abriu um
inquérito sobre a concessão de um espaço de restauração construído pela
Câmara de Vila Franca do Campo, em São Miguel, à Associação Amigos de
Vila Franca do Campo.De acordo com o
despacho, a que a Lusa teve acesso em agosto, entre finais de 2017 e
início de 2018, os quatro intervenientes “delinearam um plano” para que a
concessão do espaço de restauração da Rotunda dos Frades fosse
“assegurada” a Luís Rodrigues. O MP alega
que o irmão do presidente da autarquia e o marido da vereadora
“constituíram uma associação sem fins lucrativos” com a intenção de
apresentar uma proposta de concessão, “preparada previamente à abertura
do procedimento”. Segundo o MP, chegou a
surgir um outro interessado em concorrer à exploração, mas só obteve os
elementos solicitados à Câmara (como a cópia do projeto de arquitetura,
pareceres e alvarás) quando faltava “uma hora e meia para o termo do
prazo do concurso”, razão pela qual “não apresentou proposta”.O
inquérito iniciado em 2018 surgiu na sequência de uma participação que o
PSD fez junto do MP sobre a concessão daquele espaço junto à rotunda
dos Frades “a familiares de membros” da maioria socialista do executivo
municipal.