Autarca condenado por peculato na ilha Graciosa vai recorrer da decisão
15 de mai. de 2025, 16:52
— Lusa/AO Online
“Nunca lutei
por poder ou riqueza - lutei pelos mais vulneráveis. E isso, com
orgulho, mantenho intacto, e irei recorrer da decisão judicial por achar
que não está de acordo com a realidade dos factos”, afirmou o autarca
George Ortins, num comunicado enviado à agência Lusa.O
presidente da Junta de Freguesia da Luz foi condenado “pela prática, em
autoria material e em concurso efetivo, de um crime de peculato e de um
crime de falsificação de documento, na pena única de 220 dias de multa à
taxa diária de 20 euros e na pena acessória de perda de mandato”,
segundo um comunicado divulgado na terça-feira pelo Ministério Público.De
acordo com o Ministério Público, em 2020 e 2021, o arguido
“apropriou-se indevidamente” de materiais destinados à reabilitação de
habitações de famílias carenciadas e entregou-os “a fregueses para fins
diversos, como construção de telheiros e canis, com o objetivo de
angariar apoio político antes das eleições de 2021”.George
Ortins, eleito pelo PS, alegou que “as faltas administrativas não devem
ser confundidas com crimes dolosos, nem justificam a gravidade das
penas aplicadas”.“Ao longo de 12 anos,
dediquei a minha vida à freguesia da Luz com um único propósito: servir a
população com honestidade e trabalho. Hoje, vejo-me injustamente
sentenciado por atos que nunca cometi por ambição pessoal ou para meu
benefício pessoal”, salientou.O autarca
admitiu que na gestão de materiais públicos podem ter “ocorrido falhas
processuais” e assumiu responsabilidade por isso, mas garantiu que
“nunca, em momento algum, houve enriquecimento ilícito ou má-fé” da sua
parte.“Continuo a viver com humildade, sem
qualquer benefício indevido. Os materiais em questão foram distribuídos
a pessoas que me foram procurar a pedir ajuda - para abrigar animais,
construir telheiros ou ajudar famílias carenciadas. Se o processo
administrativo não seguiu todos os trâmites formais, o objetivo foi
sempre o de ajudar a nossa comunidade”, frisou.George
Ortins lamentou não ter denunciado a tempo “graves desvios” que
chegaram ao seu conhecimento no passado, “como a duplicação de verbas
para a casa funerária ou a mistura de contas pessoais com dinheiro
público por parte de anteriores responsáveis”.“Errei
por omissão e aprendi com isso. O que mais me dói é ver a justiça ser
aplicada de forma tão desigual. Condenam-me por tentar ajudar dentro das
minhas possibilidades, enquanto outros que cometeram irregularidades
para fins eleitorais e pessoais continuam impunes”, apontou.“Peço
apenas que me julguem com a mesma medida com que deveriam julgar todos:
pela intenção e pelos resultados concretos para a população”, reforçou.