Austrália vai atribuir residência a milhares de refugiados com visto temporário
13 de fev. de 2023, 08:33
— Lusa/AO Online
A
medida, que entra em vigor em março, beneficia milhares de refugiados
do Afeganistão, do Irão, da Somália e de Myanmar (antiga Birmânia),
entrados no país antes de 2013, quando a Austrália lançou a operação
Fronteiras Soberanas, para controlar águas territoriais e deter a
imigração ilegal, indicaram, em comunicado, os Ministérios do Interior e
da Imigração.A medida estende-se ainda
aos titulares dos dois tipos de vistos temporários concedidos pela
Austrália a quem tentou chegar ilegalmente ao país por via marítima,
denominados TPV e SHEV. Estes titulares viviam, até agora, "num limbo"
legal e com a possibilidade de serem expulsos.“Trabalham,
pagam impostos, abrem negócios, empregam australianos e constroem uma
vida nas nossas comunidades, na maioria das vezes em áreas rurais e
regionais. No entanto, sem um visto permanente não podem pedir
empréstimos para comprar uma casa, construir um negócio e continuar a
educação", realçou, na mesma nota, o ministro da Imigração australiano,
Andrew Giles.Ao abrigo desta nova medida,
os refugiados vão ter os mesmos direitos que os residentes permanentes
na Austrália, incluindo contribuições à segurança social ou empréstimos
universitários, além de, no futuro, terem acesso à cidadania
australiana.O Governo de Camberra anunciou
ainda que vai destinar 9,4 milhões de dólares australianos (seis
milhões de euros), para auxiliar durante o processo de pedido de visto,
ao longo de dois anos, "esses refugiados que estão no limbo".O projeto foi elogiado por organizações de defesa de refugiados e de direitos humanos. "Este
é um momento histórico que põe fim a quase uma década de política
desumana que só causou danos e traumas incalculáveis às pessoas que
procuram proteção na Austrália", disse o diretor executivo do Conselho
para os Refugiados da Austrália, Paul Power.Com
esta decisão, o Governo do trabalhista, Anthony Albanese, cumpre uma
das promessas eleitorais, embora a medida abranja apenas refugiados
chegados ao país antes de 2013 e da polémica operação Fronteiras
Soberanas.