Austrália deixa de reconhecer Jerusalém Ocidental como capital de Israel
18 de out. de 2022, 12:16
— Lusa/AO Online
"A
questão do estatuto final de Jerusalém deve ser resolvida por meio de
negociações de paz entre Israel e o povo palestino", disse a ministra
dos Negócios Estrangeiros da Austrália, Penny Wong, numa conferência de
imprensa.Wong também sublinhou que o novo
governo, eleito em maio, após nove anos de executivo conservador, não
pretende transferir para Jerusalém Ocidental a embaixada australiana,
que irá manter-se em Telavive."A Austrália
está comprometida com uma solução de dois Estados na qual Israel e um
futuro Estado palestino coexistam, em paz e segurança, dentro de
fronteiras internacionalmente reconhecidas", disse, antes de afirmar que
não apoiará "uma abordagem que prejudique essa perspetiva".O
então primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, anunciou em
novembro de 2018 que o país iria reconhecer Jerusalém Ocidental como a
capital de Israel, mas que não iria mudar a embaixada até que existisse
um acordo de paz com a Palestina.“Sei que
isso causou conflitos e confusão no seio de parte da comunidade
australiana, e hoje o governo está a tentar resolver isso”, disse Penny
Wong.A ministra acusou o governo de Scott
Morrison de tomar a decisão para tentar ganhar uma eleição crucial num
subúrbio de Sydney com uma grande comunidade judaica."Foi um jogo cínico e malsucedido", disse Wong.A
decisão de 2018 também causou consternação na vizinha Indonésia – o
país com o maior número de muçulmanos no mundo –, levando à suspensão
temporária de um acordo de livre comércio com a Austrália.Os
Estados Unidos foram o primeiro país a tomar esta decisão, em dezembro
de 2017, que rompeu com décadas de consenso internacional sobre a Cidade
Santa, cuja parte oriental é ocupada por Israel desde 1967 e
reivindicada pelos palestinianos como capital do seu Estado.O
anúncio da decisão do então Presidente norte-americano, Donald Trump,
foi seguido por declarações semelhantes de outros países, como a
Guatemala, o Paraguai, a República Checa e as Honduras.Mas,
em setembro de 2018, o Governo do atual Presidente paraguaio, Mario
Abdo Benítez, disse que iria anular a decisão, “absolutamente unilateral
e sem consulta, sem qualquer tipo de elementos, nem argumentos fundados
no Direito Internacional”, tomada pelo Presidente cessante, Horácio
Cartes, e anunciou o fecho da embaixada.Esta decisão provocou mal-estar em Israel que, por seu lado, decidiu encerrar a sua representação em Assunção.A maioria dos países, incluindo Portugal, mantém as suas embaixadas em Telavive.