Austrália adota lei que obriga Facebook e Google a pagar conteúdos jornalísticos
25 de fev. de 2021, 13:24
— Lusa/AO Online
A lei "assegurará que
os meios de comunicação social recebam uma remuneração justa pelo
conteúdo que geram, o que ajudará a manter o jornalismo de interesse
público na Austrália", disse o ministro do Tesouro australiano, Josh
Frydenberg, em comunicado.O Governo
australiano introduziu na terça-feira uma série de alterações à proposta
de lei (apresentada em dezembro), uma semana depois de o Facebook ter
bloqueado as notícias naquele país, em protesto contra a legislação, o
que levou a novas negociações com a rede social de Mark Zuckerberg.Na
origem da lei de pagamentos por conteúdos jornalísticos esteve uma
investigação da Comissão Australiana da Concorrência e do Consumidor
(ACCC) que expôs o desequilíbrio entre as receitas publicitárias obtidas
pelas empresas tecnológicas e pelos órgãos de comunicação social no
país.Segundo o relatório final da ACCC
sobre as plataformas digitais, publicado em dezembro de 2019, estas
concentravam 51% das despesas de publicidade na Austrália, em 2017. Em
maio passado, o presidente do grupo Nine Media, Peter Costello, disse
que a Google e o Facebook geram receitas publicitárias de cerca de seis
mil milhões de dólares australianos (3,9 mil milhões de euros), dos
quais cerca de 10% provêm de conteúdos noticiosos.A
nova legislação exige que as empresas tecnológicas negoceiem com os
meios de comunicação social uma contrapartida pela publicação de
conteúdos jornalísticos nas suas plataformas.As
emendas introduzidas na terça-feira dão mais margem de negociação aos
gigantes tecnológicos, estabelecendo como último recurso a intervenção
de um painel de arbitragem para fixar o montante a ser pago, caso não
seja alcançado um acordo comercial.As plataformas vão ter dois meses para negociar acordos e evitarem a arbitragem. A
associação de imprensa Country Press Australia, que representa 161
jornais regionais, teme, no entanto, que as organizações jornalísticas
mais pequenas possam ficar sem remuneração, segundo a agência de
notícias Associated Press (AP).Tanto a Google como o Facebook já começaram a estabelecer acordos com os maiores meios de comunicação da Austrália.Na
quarta-feira, o Facebook prometeu investir “pelo menos” mil milhões de
dólares (822 milhões de euros) nos próximos três anos em conteúdos
noticiosos, sem precisar de que forma serão distribuídos.A
Google já aceitou pagar "somas significativas" como contrapartida aos
conteúdos do grupo de comunicação News Corp., de Rupert Murdoch.Vários
países, como o Canadá, Reino Unido, França ou Índia, mostraram
interesse nesta lei, disse esta semana o primeiro-ministro australiano,
Scott Morrison.