Aumentou confiança nos profissionais de saúde, políticos penalizados
6 de dez. de 2021, 10:28
— Lusa/AO Online
Estas são
conclusões de um estudo da autoria de Miguel Ricou, professor da
Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) e investigador do
CINTESIS – Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde, a
que a Lusa teve hoje acesso.O
trabalho, intitulado “COVID-19 Pandemic: Effect on Confidence Levels of
Portuguese Towards People of Different Professions”, mediu a confiança
dos portugueses em diferentes profissionais em dois momentos distintos
da pandemia: julho e setembro de 2020. Ao todo, participaram 1.455 portugueses entre os 19 e os 79 anos (44 anos, em média), e maioritariamente no sexo feminino. De
acordo com os dados disponibilizados, os médicos e os enfermeiros são
os profissionais que merecem mais confiança dos portugueses (entre 43 e
44%), seguidos pelos investigadores (37%), farmacêuticos (35%),
psicólogos (33%), professores e educadores (32%). “Estes
resultados podem ser justificados pelo papel desempenhado por estes
profissionais durante a pandemia, especialmente pelos médicos e
enfermeiros”, explica Miguel Ricou, em comunicado enviado à Lusa. Do
mesmo modo, as profissões ligadas à ciência, cujas práticas são
baseadas na evidência, podem estar a merecer mais confiança, nesta crise
pandémica, porque os portugueses precisam de “respostas que os façam
sentirem-se seguros” e pelo papel da Saúde Pública perante as questões
sanitárias. Inversamente,
este estudo revela uma redução da confiança dos portugueses nos
políticos, nos dois períodos em causa, à semelhança do que está descrito
noutros países. As razões apontadas passam pela crise socioeconómica e pela impopularidade das medidas adotadas pelos governantes. O nível de confiança nos jornalistas também baixou.“É
muito fácil atribuir culpas ao mensageiro”, considera Miguel Ricou,
lembrando que as “teorias da conspiração” e fenómenos como a
“desinformação” e as “'fake news'” podem explicar estes resultados, numa
altura em que o jornalismo desempenhou um papel fundamental para
informar a sociedade. “Confunde-se o mensageiro com a mensagem”, frisou.Para
o professor da FMUP, a solução para aumentar os níveis de confiança da
população pode passar por mais ações conjuntas envolvendo profissionais
de saúde, cientistas, políticos e jornalistas, quer a nível da tomada de
decisão quer da comunicação das medidas a tomar. Este
estudo teve também a participação de Helena Pereira e Sílvia Marina
ambas investigadoras da FMUP/CINTESIS, bem como de Tiago Pereira, da
Ordem dos Psicólogos Portugueses, e de Ricardo Picoli, da Universidade
de São Paulo, no Brasil.