Aumento dos salários mais baixos da tabela "tem de ser feito num próximo Governo"
10 de dez. de 2021, 13:01
— Lusa/AO Online
Em
entrevista à Lusa, a governante indicou que a negociação com os
sindicatos sobre os salários dos assistentes técnicos e operacionais
estava prevista para janeiro, mas devido ao 'chumbo' do Orçamento do
Estado para 2022 (OE2022) que levou à convocação de eleições
legislativas antecipadas para 30 de janeiro, ficou pelo caminho."É
algo que vai ter de ser feito num próximo Governo, porque o aumento do
salário mínimo nacional (...) tem por efeito a compressão da tabela
remuneratória" da administração pública, defendeu Alexandra Leitão."Sendo
uma alteração estrutural, obviamente que não podia ser feita sem
orçamento", mas "isso vai ter de acontecer", frisou a ministra.Questionada
sobre se estará disponível para integrar as listas do PS nas próximas
eleições legislativas ou o novo Governo, respondeu: "Sou militante do
Partido Socialista há muitos anos e estou sempre disponível para me
empenhar naturalmente em todos os lugares e em todas as tarefas que
entendam em que posso ser útil".Após
as negociações com os sindicatos em novembro, o Governo avançou com uma
atualização salarial de 0,9% para os funcionários públicos, mas ao
contrário do que aconteceu nos dois anos anteriores, os assistentes
operacionais, com remunerações imediatamente a seguir à da base salarial
(equivalente ao salário mínimo, que será de 705 euros em 2022), não
tiveram valorizações adicionais.Já
sobre os aumentos salariais de 0,9% para 2022, que ficaram aquém do
exigido pelos sindicatos, a ministra justificou com a crise causada pela
pandemia de covid-19."Quando
este Governo tomou posse em outubro de 2019, a perspetiva era outra,
estávamos a caminho do primeiro ano com o excedente orçamental (...) mas
a partir de março entrámos numa situação de crise, que foi uma crise de
saúde pública, mas com óbvias consequências económicas e sociais que
fez com que algumas coisas tivessem de ter outro desenho", disse
Alexandra Leitão.A
ministra indicou ainda que o aumento de 0,9% está "exatamente em linha
com a inflação", sublinhando que o valor anual da inflação tido em conta
foi o apurado em novembro pelo Instituto Nacional de Estatística (INE),
de 1,02%, retirando a deflação de 0,1% de 2020.O
Governo teve em consideração os valores da inflação apurados em
novembro e não em dezembro "porque era o 'deadline' para aprovar a
medida" de forma a que ela fosse operacionalizada em janeiro, tendo em
conta que se trata de um aumento transversal a 720 mil trabalhadores,
justificou a ministra.