Aumento dos acidentes em 2017 “exclusivamente concentrado” nos motociclos
4 de jan. de 2018, 15:03
— Lusa/AO online
“O
aumento da sinistralidade grave, mortos e feridos grave, está todo
exclusivamente concentrado nos motociclos, não houve aumento nos outros
tipos de utentes” das vias, disse à agência Lusa o presidente da PRP,
José Miguel Trigoso. O
responsável comentava os dados provisórios divulgados pela Autoridade
Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR), que dão conta de um total de
509 pessoas mortas nas estradas portuguesas no ano passado, mais 64 do
que em 2016 (12,5%), tendo também se verificado um aumento do número de
acidentes e feridos graves.“Todo
este aumento é devido ao aumento dos mortos e feridos graves dos
motociclos”, precisou José Miguel Trigoso, adiantando que “aumentou
muito” a circulação de motos em 2017 “por razões da economia, mobilidade
e do bom tempo”. O
presidente da PRP explicou que existem dois tipos de pessoas que
circulam com motociclos, as que utilizam este tipo de transporte todos
os dias, conhecidos por motards, e os que usam o automóvel ou motociclo
consoante a situação.Estes,
que são em número superior aos motards, tendem a utilizar mais o
motociclo nas viagens regulares e, como esteve bom tempo praticamente
durante o ano todo de 2017, aumentou “seguramente muito o volume de
circulação neste tipo de veículos, levando a um aumento global do risco e
provavelmente a um aumento da sinistralidade grave”, sustentou.Ressalvando
que os números de 2017 são provisórios e apenas existem dados mais
completos até outubro, José Miguel Trigoso afirmou que os outros utentes
das vias não aumentaram, mas também não diminuíram, o que “não é
positivo”. O
mesmo responsável sublinhou também que, em comparação com os restantes
países da União Europeia, Portugal tem uma taxa de sinistralidade
relativamente baixa fora das localidades, mas “brutalmente elevada”
dentro das localidades. Por
isso, defendeu que “a grande prioridade” é o combate da sinistralidade
dentro das localidades, até porque é nestes locais que existe maior
número de acidentes com motociclos. A
ANSR indica também que, em 2017, foram registados 130.157 acidentes nas
estradas (127.210 em 2016), 2.181 feridos graves (2.102) e 41.591
feridos ligeiros (39.121).Segundo
anunciou em dezembro o ministro da Administração Interna, o Governo
quer já no início deste ano definir objetivos para reduzir a
sinistralidade rodoviária e refletir sobre qual a intervenção necessária
nos atropelamentos, álcool e acidentes com motociclos, os três
principais fatores de risco.O
presidente da PRP considerou que estas medidas devem ser tomadas
rapidamente e defendeu uma organização do tráfego e das infraestruturas
dentro das localidades, nomeadamente a obrigatoriedade da realização de
auditorias de segurança rodoviária a todos os projetos e de inspeções às
condições de segurança das vias. José
Miguel Trigoso considerou ainda fundamental a existência de um manual
de boas práticas de aplicação obrigatória sobre o tipo de projetos das
vias em meio urbano e uma política de gestão da velocidade.A
agência Lusa contactou a ANSR, que se escusou fazer qualquer leitura
sobre o aumento da sinistralidade rodoviária em 2017, alegando que os
dados são provisórios.Na
quarta-feira, a comissão parlamentar de Economia, Inovação e Obras
Públicas aprovou por unanimidade um requerimento do PSD para a audição
do ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, sobre a evolução
da sinistralidade rodoviária em 2017.