Aumento do salário mínimo não tem contrapartidas para empresas
15 de out. de 2020, 17:53
— Lusa/AO Online
"Não há contrapartidas
ou compensações por subida do salário mínimo, não há, nunca houve",
disse Pedro Siza Vieira aos jornalistas no final da reunião da
Concertação Social onde esteve a ser debatida a proposta de Orçamento do
Estado para 2021 (OE2021). No entanto, o
governante defendeu que é preciso "continuar a dar apoios às empresas" e
a preservar postos de trabalho, sendo que "esses apoios são
especialmente necessários em setores que estão mais expostos à
concorrência externa ou que possam ter maior dificuldade
conjunturalmente como é o caso dos setores do turismo.""Entendemos
que a subida do salário mínimo é importante para a dignificação do
trabalho, mas também como estímulo à procura interna […] mas também
entendemos que devemos continuar a apoiar as empresas que protegem e
preservam postos e trabalho", sublinhou o ministro da Economia. O
secretário de Estado Adjunto, do Trabalho e da Formação Profissional,
Miguel Cabrita, disse, por sua vez, que o Governo deverá apresentar uma
proposta de aumento do salário mínimo para 2021 “nas próximas reuniões,
se não mesmo na próxima reunião” da Concertação Social. O
salário mínimo nacional é de 635 euros e o Governo já manifestou
disponibilidade para aumentar o valor em linha com a média dos últimos
quatro anos, o que resultará numa subida inferior a 25 euros.Quanto
à proposta do Governo, aprovada em Conselho de Ministros, relativa à
suspensão da contagem de prazos associados à caducidade dos contratos
coletivos de trabalho, Miguel Cabrita disse que ela irá aplicar-se "a
todos os contratos coletivos que estejam neste momento em processo de
denúncia e que tenham prazos a decorrer".Segundo
o secretário de Estado, em causa estarão seis denúncias verificadas no
último ano que abrangem entre 25 mil a 30 mil trabalhadores. A
suspensão de prazos aplica-se também a processos de caducidade "que vêm
já de trás e que têm prazos a decorrer", sendo que a abrangência neste
caso é de quase o dobro do número de trabalhadores, acrescentou. Miguel
Cabrita disse ainda que a suspensão de prazos irá ainda abranger
"contratos coletivos que estão em vigor mas, que no atual momento de
crise e de pandemia, podem estar em risco de ser denunciados".A
secretária-geral da CGTP, Isabel Camarinha, disse que um aumento do
salário mínimo inferior a 35 euros "não garante aumento do poder de
compra nem a dignidade dos trabalhadores". Quanto
à suspensão da norma da caducidade, a líder da intersindical considerou
insuficiente e reafirmou a necessidade da sua revogação.