Aumento do passivo dos hospitais reflete maior transparência contabilística
Hoje 09:35
— Ana Carvalho Melo
A Secretaria Regional da Saúde e Segurança Social considera que o
aumento para 384 milhões de euros (ME) do passivo nos hospitais da
Região Autónoma dos Açores, verificado no primeiro trimestre deste ano,
reflete maior transparência contabilística.Em nota enviada ao
Açoriano Oriental, a secretaria realça que os dados do primeiro
trimestre de 2026 demonstram que a evolução do passivo dos hospitais da
Região resulta de “um conjunto de fatores, entre os quais se destacam: o
reforço da transparência e do rigor contabilístico; o reconhecimento de
responsabilidades futuras que anteriormente não se encontravam
refletidas nas demonstrações financeiras; a valorização das carreiras e
dos direitos remuneratórios dos profissionais; o aumento dos custos
associados ao reforço da atividade assistencial, refletindo uma maior
capacidade de resposta às necessidades dos utentes”.Acrescenta ainda
que “o Governo dos Açores continuará a prosseguir uma gestão
responsável e transparente do Serviço Regional de Saúde, conciliando o
rigor financeiro com o reforço da resposta assistencial, de forma a
garantir cuidados de saúde cada vez mais acessíveis, diferenciados e de
qualidade para todos os açorianos”.Nesse sentido, sobre o Hospital
do Divino Espírito Santo, onde o aumento da dívida foi de 14,06%, refere
que a variação entre o primeiro trimestre de 2026 e o período homólogo
de 2025 reflete, essencialmente, a execução de 2025. “Apesar do reforço
das transferências recebidas ao abrigo do contrato-programa, este
acréscimo não foi suficiente para compensar o agravamento do défice
económico, que aumentou cerca de 5 ME face ao período homólogo”,
explica.E, nesse contexto, realça que os custos das mercadorias
vendidas e das matérias consumidas registaram um acréscimo de 2,3 ME
(+18,2%), refletindo o aumento da atividade assistencial e a necessidade
de garantir os meios indispensáveis à prestação de cuidados aos
utentes. Destacam-se os encargos adicionais com medicamentos (+1,6 ME),
bem como os aumentos registados em material de electromedicina, produtos
de tratamento, material clínico de consumo, artigos cirúrgicos,
próteses e reagentes de diagnóstico.Salienta ainda que a evolução do
passivo acompanha um crescimento muito significativo da atividade
assistencial registado no primeiro trimestre de 2026. “Comparativamente
ao período homólogo de 2025, o hospital realizou mais consultas externas
(+9%), mais internamentos (+9%), mais cirurgias (+12%), mais atividade
de Hospital de Dia (+5%) e mais Meios Complementares de Diagnóstico e
Terapêutica (+9%), superando inclusivamente as metas contratualizadas em
áreas como a consulta externa, a cirurgia programada e os MCDT”,
refere.“Este reforço da resposta aos utentes implicou um aumento
dos custos associados à prestação de cuidados de saúde, designadamente
com recursos humanos, medicamentos e material clínico, refletindo o
investimento realizado para garantir uma maior capacidade de resposta do
Serviço Regional de Saúde”, acrescenta.E conclui, afirmando que a
evolução verificada traduz, “por um lado, o reforço da resposta às
necessidades assistenciais da população e, por outro, o reforço do rigor
e da transparência contabilística das unidades hospitalares”.Sobre o
Hospital da Horta, cujo passivo aumentou 2,78% no primeiro trimestre, a
secretaria regional explica que, embora se tenha registado um aumento
do passivo na ordem de 1 milhão de euros face ao período homólogo, se
verificou uma redução significativa das dívidas a fornecedores e dos
encargos com pensões, que diminuíram globalmente cerca de 4 ME.Esta
evolução resulta, em parte, das medidas de redução da dívida
implementadas pela instituição, permitindo mitigar o impacto financeiro
das novas obrigações decorrentes da valorização profissional dos
trabalhadores.Já sobre o Hospital de Santo Espírito da Ilha
Terceira, onde o passivo aumentou 29,78%, refere que, segundo informação
prestada pelo Conselho de Administração, esta variação está em larga
medida associada ao reforço da transparência contabilística e não deve
ser interpretada como um aumento equivalente da dívida efetiva da
instituição.“Cerca de 9 ME resultam de regularizações
contabilísticas efetuadas em 31 de dezembro de 2025, destinadas a
corrigir situações identificadas pelo Revisor Oficial de Contas, e do
reconhecimento de responsabilidades futuras anteriormente não refletidas
nas demonstrações financeiras, não correspondendo, por isso, a um
aumento equivalente da dívida comercial da instituição”, explica. E
acrescenta que estas correções contribuíram para a remoção de reservas
constantes das certificações legais de contas de exercícios anteriores.Diz
ainda que, deste montante, aproximadamente 4 ME correspondem ao
reconhecimento contabilístico de responsabilidades futuras relacionadas
com progressões de carreira e outros direitos remuneratórios a liquidar
em períodos posteriores, valores que não estavam refletidos nas contas
do primeiro trimestre de 2025. E os outros 5 ME dizem respeito ao
reconhecimento de responsabilidades futuras associadas a pensões e
encargos de trabalhadores abrangidos pela Caixa Geral de Aposentações,
igualmente não registados no período homólogo.