Aumento de áreas marinhas protegidas vai obrigar a mudar mentalidades
1 de mar. de 2019, 10:39
— Lusa/AO Online
"Nós
temos de mudar mentalidades. Nós não podemos começar cada projeto como
se fossemos uns órfãos inovadores que chegámos agora para fazer qualquer
coisa de novo. Não. Nós temos de criar uma nova mentalidade, uma nova
abordagem e congregar os nossos projetos", declarou a governante.Ana
Paula Vitorino falava na Horta, ilha do Faial, Açores, durante a
assinatura de um memorando de entendimento entre o Governo Regional, a
Fundação Oceano Azul e a Fundação Waitt, com vista à criação do programa
"Blue Azores", que pretende declarar 15% da Zona Económica Exclusiva
(ZEE) nacional nos Açores como área marinha protegida.A
iniciativa visa a "conservação e utilização sustentável dos recursos
naturais dos Açores", através da criação de áreas marinhas protegidas, e
irá ser desenvolvida e implementada nos próximos três anos, abrangendo
uma área de cerca de 150 mil quilómetros quadrados.Para
que este projeto tenha sucesso, a ministra do Mar referiu que é preciso
"educar as pessoas", eventualmente as próximas gerações, para a
necessidade de terem um papel fundamental na preservação dos recursos,
inclusivamente, a classe piscatória."Perguntavam-me
há pouco: e agora, com mais áreas marinhas protegidas, o que é que vai
acontecer à pesca? Naturalmente que nós temos de preservar a pesca e as
comunidades piscatórias, mas com regras de gestão, que permitam um
convívio entre a preservação e a atividade económica", defendeu a
ministra do Mar.A
governante assinalou ainda que Portugal tem sido pioneiro nesta
matéria, ao ter assumido perante a Comissão Europeia que pretendia ir
além da meta de 14% de área marinhas protegidas no país, para poder
chegar aos 30%.Preocupação
semelhante manifestou o presidente do Governo dos Açores, Vasco
Cordeiro, considerando que "o maior desafio" deste projeto de criação de
mais áreas marinhas protegidas no arquipélago "não está ganho", que é o
"desafio das mentalidades"."É
preciso que o pescador, que não está aqui nesta sala, perceba que,
daquilo que estamos a fazer aqui, resulta benefício para a sua vida",
frisou o chefe do executivo regional, advertindo que, caso essa
consciencialização não resulte, projetos como este poderão estar
condenados ao fracasso.