Aumento "abrupto" dos combustíveis ameaça paralisar pesca nos Açores
Hoje 15:57
— Lusa/AO Online
“O
aumento anunciado para 01 de maio de uma subida de 0,36 euros por litro
no gasóleo destinado à pesca, que passa de 1,08 euros para 1,44 euros,
representa um golpe duríssimo num setor já sob enorme pressão”, aponta a
FPA, em comunicado.De acordo com os
despachos publicados em Jornal Oficial, a partir de sexta-feira a
gasolina sem chumbo I.O. 95 octanas passa a custar 1,921 euros por
litro, nos Açores, e o gasóleo rodoviário 2,004 euros por litro.O
preço do gasóleo colorido e marcado consumido na agricultura é fixado
em 1,633 euros por litro e o preço do gasóleo colorido e marcado
consumido na pesca em 1,443 euros por litro.O
gás butano vendido ao público, no estabelecimento do revendedor, em
garrafas de 26 litros ou mais, passa a custar 2,208 euros por quilo e o
vendido em garrafas de 24 litros, construídas em materiais leves (até
oito quilos de vasilhame), 2,408 euros por quilo. O gás butano
canalizado é fixado em 2,208 euros por quilo e o gás butano a granel em
1,801 euros por quilo.Desde fevereiro, com
este novo aumento, o preço da gasolina nos Açores sobe 32,3 cêntimos
por litro, o preço do gasóleo 53 cêntimos por litro e o preço do gás
butano 52,2 cêntimos por quilo.Manifestando
“profunda preocupação e indignação” face à “escalada abrupta” do preço
dos combustíveis nos Açores, a FPA considera que o agravamento é
“absolutamente incomportável” para a maioria das empresas do setor, numa
altura em que o combustível representa 40% dos custos operacionais de
alguns segmentos de frota/embarcações, sendo, por isso, determinante
para a sua viabilidade económica.A
Federação das Pescas, presidida por Jorge Gonçalves, sustenta que a
situação agrava-se por coincidir com o arranque da safra do atum, “um
momento crítico” para a atividade, porque existem embarcações com
“consumos diários que podem atingir os mil litros”.“Neste
contexto, a sustentabilidade económica de muitas empresas fica
seriamente comprometida, colocando em causa a continuidade de algumas
empresas”, alerta, insistindo que se está perante “uma escalada de
preços sem precedentes, profundamente injusta, ofensiva e
desproporcionada face às exigências que têm sido impostas ao setor”.A
federação aponta também que “desde fevereiro, o gasóleo para a pesca já
tinha registado um agravamento de 0,16 euros por litro”, alegando que
com a nova atualização “o aumento acumulado atinge os 0,52 euros por
litro, um valor absolutamente incomportável para a generalidade das
empresas do setor”.Perante este cenário,
segundo a federação alguns armadores admitem não sair para o mar nos
próximos meses, o que poderá ter consequências “devastadoras” na fileira
das pescas, desde a captura e produção, até à comercialização do
pescado, na economia regional e ainda no rendimento de centenas de
famílias dependentes da pesca.A federação
sublinha ainda que, pela primeira vez, o preço do gasóleo para a pesca
nos Açores ultrapassa o praticado no continente, onde existem apoios ao
setor, bem como em outras regiões como Madeira, Canárias e Espanha, onde
os armadores beneficiam de medidas compensatórias.Perante
este cenário, a federação defende que “é imperativo que Portugal
avance, com urgência, com medidas concretas de apoio ao setor, à
semelhança do que já acontece noutros países da União Europeia”.“Torna-se
igualmente essencial assegurar, de imediato, a aplicação nos Açores do
apoio de 0,10 euros por litro em vigor no continente, enquanto não são
definidas soluções estruturais mais robustas”, defende, apelando a uma
“resposta articulada” entre os governos Regional e da República, já que
"os momentos de crise exigem liderança, responsabilidade e ação". "É
urgente uma resposta rápida, firme e eficaz que salvaguarde um setor
estratégico, essencial não só para a economia regional, mas também para a
identidade e coesão social dos Açores", salienta.