Augusto Santos Silva alerta para a necessidade de se combater a desinformação
9 de dez. de 2021, 11:33
— Lusa/AO Online
Augusto Santos Silva disse ser “fundamental
responder aos desafios trazidos pelas novas tecnologias” com uma
“abordagem integrada e inclusiva” em que participem e colaborem
“Estados, sociedade civil, empresas e a comunicação social”.“O
advento da internet parecia prometer uma sociedade de informação e do
conhecimento inclusiva e democrática, mas trouxe também consigo novos
perigos, incluindo o de promover o exato oposto: uma sociedade
fragmentada, polarizada, relutante em ouvir e acolher diferentes pontos
de vista”, alertou o chefe da diplomacia portuguesa.Organizada
pelo Centro Norte-Sul do Conselho da Europa, a 27.ª edição do Fórum de
Lisboa é dedicada ao “diálogo intercultural na era da infodemia”.Augusto
Santos Silva salientou que o Centro Norte-Sul, com sede em Lisboa,
"promove a cidadania ativa e previne fenómenos de radicalismo, discurso
de ódio, separatismo religioso e de discriminação com base na religião
ou na crença".No encontro, presencial e
virtual, oradores de vários países vão discutir, hoje e na sexta-feira, a
“necessidade urgente” de promover o diálogo intercultural como forma de
combater a desinformação e o discurso de ódio.“Este
debate híbrido destaca o diálogo intercultural como uma forma eficaz de
proteger os direitos humanos, a solidariedade global e a justiça social
‘online’ e ‘offline’”, segundo a organização.O
primeiro dia do Fórum de Lisboa coincide com a entrega do Prémio
Norte-Sul do Conselho da Europa 2020 à Comissão Internacional contra a
Pena de Morte e à Rede de Especialistas Mediterrâneos em Mudanças
Climáticas e Ambientais.O prémio será
entregue durante uma cerimónia na Assembleia da República, que contará
com intervenções do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e
do presidente do parlamento, Eduardo Ferro Rodrigues. O
Prémio Norte-Sul do Conselho da Europa distingue anualmente duas
personalidades ou organizações pelo seu “compromisso com os direitos
humanos, a democracia e o Estado de direito”.Dirigido
atualmente pelo diplomata português Afonso Malheiro, o Centro Norte-Sul
é um instrumento para a cooperação multilateral da política do Conselho
da Europa para as regiões vizinhas.Criado
em 1990, visa “facilitar a transição política democrática, ajudar a
promover a boa governação e reforçar e alargar a ação regional do
Conselho da Europa no combate às ameaças transfronteiriças e globais”.Além de Portugal, o Centro Norte-Sul integra duas dezenas de estados, incluindo Espanha, Grécia, Marrocos, Tunísia e Cabo Verde.