Augusto Mateus adia para terça-feira reunião entre consórcio e SATA

6 de out. de 2025, 10:23 — Arthur Melo

O conturbado e longo processo de privatização da Azores Airlines sofreu num novo atraso, adiando por mais dias a decisão final sobre a compra, ou não, de 51% da companhia aérea açoriana pelo consórcio Newtour/MS Aviation. O presidente do Júri do Concurso de Privatização da Azores Airlines, adiou para a próxima terça-feira (7 de outubro) a reunião, avançou a Antena 1/Açores. Augusto Mateus adiantou à rádio pública açoriana que espera, após a realização desta reunião, concluir se o negócio é viável e se vale a pena prosseguir a ronda de negociações entretanto já encetadas. O alegado braço de ferro entre os pilotos e consórcio deixa, de acordo com a Antena 1/Açores, em suspenso o desfecho da reunião e as consequências que a mesma terá no processo em curso. Processo de privatização da Azores Airlines iniciou-se no início de 2022, depois de em junho de 2022, a Comissão Europeia ter aprovado uma ajuda estatal portuguesa para apoio à reestruturação da companhia aérea de 453,25 milhões de euros em empréstimos e garantias estatais, prevendo medidas como uma reorganização da estrutura e o desinvestimento de uma participação de controlo (51%).As negociações entre o Governo Regional e o consórcio Newtour/MS Aviation para a privatização da Azores Airlines, do Grupo SATA decorrem desde o passado mês de abril, um processo que o executivo regional disse querer concluir até setembro, o que acabou por não acontecer.Recorde-se que a SATA terminou o primeiro semestre de 2025 com 43,8 milhões de euros (ME) de resultado líquido acumulado negativo, um valor que significa uma ligeira melhora de 2,7 ME face ao período homólogo.A Azores Airlines concluiu os primeiros seis meses com um resultado líquido acumulado negativo de 41,1 ME, um agravamento de 3,3 ME face ao primeiro semestre de 2024. Por seu turno, a SATA Air Açores continua com resultado líquido acumulado negativo (-3,4 ME), mas reduziu face ao primeiro semestre de 2024, quando os valores foram de 9 ME negativos.Já a SATA Gestão de Aeródromos melhorou o resultado líquido acumulado positivo, passando de 229 mil euros em 2024, para 646 mil euros este ano.O Grupo SATAapresentou EBITDA (Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização) positivo em todas as companhias: 300 mil euros na Azores Airlines, face aos 4,9 ME negativos; 1,3 ME na SATA Air Açores, face aos 1,2 ME negativos; e 350 mil euros na Gestão de Aeródromos. Nos primeiros seis meses de 2025, a SATA transportou 1,2 milhões de passageiros, mais 3% em relação ao mesmo período do ano passado. Governo não assume os seus erros, diz o SITAVAO Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos (SITAVA) mantém as críticas feitas na passada segunda-feira ao Governo Regional, pelo facto do executivo não assumir as suas responsabilidades pela atual situação da SATA.“O Governo teima em não assumir, publicamente, os seus erros e continua a repetir o mesmo discurso responsabilizando os trabalhadores pela degradação económica e financeira do Grupo SATA”, refere a estrutura sindical em comunicado.Depois da concentração de trabalhadores realizada em Ponta Delgada no início da sema na e da moção aprovada, por unanimidade, naquele dia, o SITAVA garante “que a luta não acaba aqui” e exortou o Governo e a administração da SATA a tomarem, urgentemente, “medidas de gestão tendentes a reduzir os elevados custos de ineficiência tanto dos serviços, como da operação”. A estrutura sindical reiterou, uma vez mais, a sua oposição ao processo de privatização em curso, salientando que “o negócio da venda da SATA Internacional, seja ela de venda direta ou outra, será nefasto para os Trabalhadores SATA, para a Região Autónoma dos Açores, para a Diáspora, e no geral, para todos os Açorianos”, ao mesmo tempo que apelida a privatização do handling como uma “operação de autêntico crime económico”.“Serão os Trabalhadores SATA e todos os Açorianos, a pagar este devaneio que poderá inclusivamente causar danos irreparáveis à SATA Air Açores e, por essa via, colocar em causa a mobilidade do povo dos Açores nas suas deslocações dentro da região”, destaca ainda o SITAVA.