Auditoria externa recomenda venda de campos de golfe e de hotéis nos Açores
22 de mar. de 2023, 13:00
— Lusa/AO Online
O
documento, a que a Lusa teve acesso, lembra que, “nos últimos
anos, as operações de golfe nos Açores apresentaram resultados
negativos” e que, “os campos de golfe, nas condições atuais, não
conseguem dar resposta às necessidades mais valorizadas, especialmente
pelos jogadores internacionais”.A
auditoria, elaborada a pedido do anterior secretário regional das
Finanças, Planeamento e Administração Pública, Bastos e Silva, que
entretanto foi substituído no cargo por Duarte Freitas, centrou-se na
atividade da “Ilhas de Valor” no período entre 2016 e 2020, mandato
gerido pelo executivo socialista.A revisão
do plano de negócios da empresa pública, realizado por uma entidade
independente, propõe que seja realizado um estudo de mercado e de
viabilidade económica aos campos de golfe da região, alguns dos quais
foram adquiridos em 2019, na sequência da insolvência da empresa
Verdegolfe.“Um estudo que permita aferir,
com maior detalhe, o impacto de diferentes opções, nomeadamente, a
alienação a um privado ou realização de um contrato de cessão de
exploração em moldes que se afigurem vantajosos para a região, ou então o
desenvolvimento de um projeto imobiliário ou hoteleiro que permita dar
resposta às necessidades mais valorizadas pelos jogadores (golfe, lazer e
férias em família)”, pode ler-se na auditoria.Os
auditores observam que os campos de golfe nos Açores “têm apresentado,
recorrentemente, uma operação deficitária” e um nível de atividade
“muito reduzido, face à sua estrutura de custos”, o que faz com que o
volume de negócios não seja “suficiente, sequer, para cobrir os custos
com pessoal”.Além da alienação do golfe,
ou em alternativa, o investimento num projeto imobiliário ou hoteleiro, a
auditoria sugere também a venda dos hotéis das Flores e da Graciosa,
construídos pela “Ilhas de Valor”, e atualmente explorados pela Fundação
INATEL (Instituto Nacional para Aproveitamento dos Tempos Livres).“Entendemos
que deverá ser equacionado a alienação dos hotéis a um privado, a
alguém com ou sem operação nas ilhas, ou, em alternativa, a alteração
dos moldes do contrato de exploração com o INATEL, de modo a que o mesmo
seja mais benéfico para a Ilhas de Valor”, adianta o documento.Lembra
a auditoria que o contrato-programa estabelecido entre a região e o
INATEL previa que a Fundação pagasse à “Ilhas de Valor” 20% do resultado
líquido agregado, só que, apesar dos hotéis terem apresentado
resultados positivos, a região não chegou a cobrar 36 mil euros de
receitas que lhe eram devidas.O relatório
agora divulgado refere ainda que, embora não tenha recebido qualquer
verba do INATEL, a empresa pública açoriana ainda efetuou obras de
manutenção nos hotéis, apesar de essa despesa não estar prevista nos
contratos de exploração, sugerindo que se apure se esses montantes
investidos poderão ser reclamado, a favor da “Ilhas de Valor”.Financeiramente,
as contas da empresa também não estão saudáveis, devido à concessão de
empréstimos reembolsáveis, que nunca foram, entretanto pagos à região.“A
Ilhas de Valor concedeu apoios, sob a forma de empréstimos
reembolsáveis, no montante de 9,6 ME, estando ainda por receber cerca de
7,1 ME”, salienta o documento, adiantando que “80% do saldo em dívida
diz respeito a beneficiários que estão em situação de insolvência, com
dívidas ao Estado ou em incumprimento da obrigação da manutenção dos
postos de trabalho”.A par dessa situação, a
empresa pública açoriana tem em curso dez processos judiciais e 14
processos de execução fiscal, na tentativa de recuperar parte dessas
dívidas, embora a auditoria conclua que a devolução desses montantes
poderá estar “comprometida”, uma vez que não foram realizadas análises
de risco, para determinar se os beneficiários teriam ou não capacidade
para reembolsar a “Ilhas de Valor”.