Audiência Nacional pede prisão para oito membros da Generalitat
2 de nov. de 2017, 12:09
— Lusa/AO online
O procurador deixou fora deste pedido o ministro
regional Santi Vila que se tinha demitido do cargo poucas horas antes de
a Generalitat ter sido afastada por decisão do Governo espanhol de
Mariano Rajoy. Dos 14 membros do executivo regional (Generalitat)
destituídos, apenas se apresentaram na Audiência Nacional esta manhã
nove, tendo faltado cinco deles, incluindo o presidente, Carles
Puigdemont. O Ministério Público acusa os 14 antigos membros do
executivo catalão, entre os quais Puigdemont, e seis deputados
regionais, incluindo a presidente do parlamento, de delitos de rebelião,
sedição e desvio de fundos, arriscando-se a penas que vão até 30 anos
de prisão. O presidente demitido do Governo catalão deslocou-se
no início da semana à Bélgica e afirma que só regressará a Espanha
quanto tiver "garantias imediatas de um tratamento justo, com separação
de poderes", o que considera não ser o caso. Se os juízes assim
decidirem, os suspeitos que não se apresentarem nas audições de hoje e
sexta-feira podem ser detidos pela polícia e, no caso de ausência no
estrangeiro, poderá ser emitido um mandado de detenção internacional. O
parlamento regional da Catalunha aprovou na passada sexta-feira a
independência da região, numa votação sem a presença da oposição, que
abandonou a assembleia regional e deixou bandeiras espanholas nos
lugares que ocupava. O executivo de Mariano Rajoy, do Partido
Popular (direita), apoiado pelo maior partido da oposição, os
socialistas do PSOE, anunciou no sábado a dissolução do parlamento
regional, a realização de eleições em 21 de dezembro próximo e a
destituição de todo o Governo catalão, entre outras medidas. Entretanto,
também esta manhã Supremo Tribunal decidiu colocar os seis deputados
regionais, entre eles a presidente do parlamento da Catalunha, Carme
Forcadell, em vigilância policial até daqui a uma semana, quando
voltarão a ser ouvidos pelo tribunal. O juiz aceitou o pedido do
procurador depois da decisão de suspender as audiências, que começaram
esta manhã, até quinta-feira, 09 de novembro. O Ministério
Público não se opôs ao adiamento das audições, mas pediu como medida
cautelar a vigilância policial para Forcadell e os cinco membros da Mesa
do parlamento regional.