Atual e ex-bastonários dos enfermeiros julgados oito anos após alegado desvio
17 de jan. de 2025, 15:36
— Lusa/AO Online
Na
contestação apresentada no Tribunal Central Criminal de Lisboa, Ana
Rita Cavaco e Luís Filipe Barreira admitem “um certo desleixo, falta de
rigor ou amadorismo” no preenchimento, em 2016, de declarações de
despesas, mas garantem que nunca “tiveram o objetivo de receber um
cêntimo a mais do que o vencimento que tinham acordado” com a OE.“Não
só a acusação é manifestamente improcedente, […] mas também é
verdadeiramente injusta, porque é direcionada contra os enfermeiros que
fizeram da Ordem uma estrutura idónea, profissional, sofisticada e
cumpridora da lei”, refere a defesa da ex e do atual bastonários e de
outros dez arguidos, assegurada por Rui Patrício e Tiago Costa Andrade.No
total, vão ser julgadas 13 pessoas por peculato e falsificação de
documento, todas ligadas à OE no primeiro mandato de Ana Rita Cavaco
(2016-2019).Luís Filipe Barreira,
bastonário desde dezembro de 2023, era então vice-presidente do Conselho
Diretivo da associação profissional.Em
causa está o recebimento de um total de mais de 63 mil euros em ajudas
de custo por viagens no âmbito da atividade da OE que, sustenta o
Ministério Público (MP) na acusação, não terão sido realizadas. Ana Rita Cavaco terá obtido indevidamente 10.631,16 euros e Luís Filipe Barreira 5.432,80.“Quiseram
todos os arguidos, enquanto trabalhadores de uma associação pública e
no exercício da sua atividade pública, adulterar os mapas de reembolso
de despesas em deslocações em viatura própria, inserindo percursos e
quilómetros forjados, para causar prejuízos, como causaram, à Ordem dos
Enfermeiros, que se viu privada das quantias monetárias das quais os
arguidos se apropriaram, assim logrando obter vantagens patrimoniais que
não lhes eram devidas”, lê-se na acusação, datada de janeiro de 2023.A
comparação com a despesa em deslocações dos arguidos em 2017 e 2018,
com um custo inferior, e a existência de faturas de refeições que serão
incompatíveis com os percursos descritos são os principais argumentos do
MP. Ana Rita Cavaco, de 48 anos, e Luís
Filipe Barreira, de 50, contrapõem, entre outros aspetos, que não
preencheram a maioria dos boletins presumivelmente falsificados, que
usaram um carro distinto do indicado e que o MP, além de apresentar
valores errados, confunde a duração das reuniões com a das viagens que
asseguram ter realizado.Inicialmente, o MP
tinha acusado 14 pessoas. Uma delas, dirigente nos Açores à data dos
atos sob suspeita, foi ilibada em março de 2024 na instrução, uma fase
facultativa requerida sobretudo pelos arguidos, na qual um juiz avalia
se uma acusação tem condições para seguir para julgamento.A
primeira sessão do julgamento está agendada para 20 de janeiro, às
09:30, no Tribunal Central Criminal de Lisboa e, segundo fonte judicial,
destina-se ao interrogatório dos arguidos que pretendam prestar
declarações.