Atribuição de nacionalidade foi regular e não teve interferência externa
Caso gémeas
10 de jul. de 2024, 17:13
— Lusa/AO Online
Filomena
Rosa foi ouvida na comissão parlamentar de inquérito ao caso das
gémeas luso-brasileiras tratadas com o medicamento Zolgensma no Hospital
de Santa Maria, em Lisboa. A audição durou perto de duas horas e teve
apenas uma ronda de perguntas.Perante os
deputados, a presidente do IRN explicou os diferentes processos de
atribuição de nacionalidade com diferentes prazos médios de conclusão,
indicando que no caso das duas crianças, por serem filhas de mãe
portuguesa, trata-se de uma “tramitação menos complexa e de regra geral
mais célere”.Filomena Rosa disse que “é
como ir à conservatória do registo civil fazer o registo de uma
criança”, mas em casos em que os pais residam no estrangeiro “vai-se ao
consulado”.A presidente do IRN explicou
que quando os pedidos são feitos nos postos consulares, a informação e
os documentos entregues são analisados e validados pelos consulados, que
remetem depois o pedido para os serviços centrais, a quem cabe
confirmar.Relativamente aos dois processos
em causa, a presidente do IRN indicou que, desde que se chegaram à
conservatória dos registos centrais, por via informática, demoraram 13 e
14 dias até estarem concluídos, em setembro de 2019.“O
prazo médio de integração dos processos relativos a menores em 2019
[...] corresponde a 10 dias”, referiu, assinalando que estes processos
relativos a crianças são prioritários, mesmo não sendo solicitada
urgência.De acordo com Filomena Rosa, o
tempo que o Estado demorou para atribuir a nacionalidade às duas
crianças foi um “prazo perfeitamente regular”.“Este
processo cumpriu todo os requisitos”, salientou a responsável,
indicando que não tem conhecimento de “nenhuma forma de pressão no
sentido de agilização ou remoção de dificuldades”.Filomena
Rosa reforçou mais à frente que “o IRN não sofreu qualquer pressão,
qualquer contacto nem qualquer pergunta” e defendeu que essa
interferência nem seria necessária, uma vez que se trata de um “processo
muito simples”.No caso das gémeas
luso-brasileiras, foi pedida urgência na emissão dos cartões de cidadão,
junto do consulado, mas não na atribuição de nacionalidade, referiu a
responsável, explicando que a emissão dos documentos de identificação
decorre de forma “automática, sem intervenção humana”, pelo que “não
havia ser humano junto do qual exercer influência”.A
presidente do IRN indicou igualmente que a lei prevê a possibilidade
da deslocação de responsáveis do registo para recolha dos dados
biométricos quando as pessoas não possam marcar presença, por exemplo
por estarem hospitalizadas ou detidas.Antes
do início da audição, os partidos aprovaram a anulação da audição de
Cláudia Monteiro, ex-chefe de gabinete do secretário de Estado da Saúde,
António Lacerda Sales, por o cargo pertencer a Tiago Gonçalves à data
dos acontecimentos.Ainda foi aprovado por
unanimidade o requerimento do PSD para solicitar à mãe das gémeas a
entrega de cópia da apólice de seguro celebrada com a companhia
brasileira Amil Assistência Médica Internacional.No
final da reunião, o coordenador do PSD, António Rodrigues, requereu a
anulação da audição da conservadora Maria Torres, por considerar
desnecessária depois dos esclarecimentos de Filomena Rosa.O
líder do Chega, André Ventura, partido que propôs a audição, disse que
até ao fim do dia irá comunicar a decisão do seu grupo parlamentar a
todos os partidos.O presidente da
comissão, Rui Paulo Sousa, indicou ainda que a próxima audição decorrerá a 19 de julho, na qual será ouvida a ex-secretária de Estado das
Comunidades Portuguesas Berta Nunes.