Ativista Greta Thunberg acusa países de procurarem subterfúgios para poluir
COP25
11 de dez. de 2019, 11:58
— Lusa/AO Online
Intervindo
num dos plenários da 25.ª Conferência das Partes (COP25) da
Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas, que
decorre em Madrid, Greta Thunberg afirmou que a cimeira devia
concentrar-se em "soluções políticas" mas em vez disso, está a ser "uma
oportunidade para os países negociarem subterfúgios e evitarem aumentar a
sua ambição"."Não há sentido de urgência
porque os nossos líderes não se comportam como se houvesse", afirmou
perante uma plateia de dezenas de delegações nacionais e de
organizações, defendendo que só a "pressão popular" os pode levar a
agir.Por enquanto, criticou, procuram "maneiras inteligentes para evitarem ações reais", chegados à antevéspera do fim da COP25.A
ativista adolescente apontou que estabelecer metas de neutralidade
carbónica para 2050 "não é liderar, é enganar", enquanto não se
incluírem as emissões de gases com efeito de estufa provenientes da
aviação, do tráfego marítimo e do comércio externo.Da
mesma forma, se os países não estabelecerem metas anuais de redução de
emissões, ser neutro em carbono em 2050 "não vai querer dizer nada"
porque as emissões vão continuar até lá.Greta
Thunberg, que iniciou o movimento das greves climáticas estudantis pelo
mundo, considerou que "a esperança não vem das empresas ou dos governos
mas das pessoas que começam a acordar e estão prontas para se unir".No
início da sua intervenção, lembrou outras plateias para quem falou,
como a assembleia geral das Nações Unidas, em que perguntou "como se
atrevem?" aos líderes mundiais, exortando-os a agir para travar as
alterações climáticas."Essas frases são o
que as pessoas fixam, e não os factos", referiu, socorrendo-se de
números como os "9,3 biliões de dólares gastos em combustíveis fósseis"
desde que foi celebrado o Acordo de Paris para a limitação do
aquecimento global, em 2015.Nas contas do
aquecimento global, "cada fração de grau conta", destacou Greta
Thunberg, perguntando à plateia como é que não sente "algum pânico" ou
"a mais pequena raiva" perante os alertas da ciência.São
precisos "cortes reais e drásticos nas fontes de emissão" de dióxido de
carbono, defendeu, acrescentando que "só reduzir não chega".