Atividades marítimo-turísticas nos Açores são sustentáveis mas devem ser estudadas
9 de jun. de 2022, 10:29
— Lusa/AO Online
“Precisamos de alguns estudos
na parte ecológica para percebermos melhor os impactos destas
atividades no meio ambiente. Contudo, penso que nos Açores, o facto de
atividades como o ‘whale watching’ [observação de cetáceos], que atraem
um maior número de pessoas, estarem definidas por licenças e não poderem
crescer, com base na sua capacidade de carga, dá uma garantia de
sustentabilidade e de bem-estar ecológico”, avançou, em declarações à
Lusa, a investigadora.Coautora de um
estudo sobre o impacto económico do ecoturismo marinho nos Açores,
Adriana Ressurreição defendeu que a pegada ecológica de atividades como a
observação de cetáceos, o mergulho e a pesca grossa têm particular
importância no arquipélago, que deve apostar num crescimento turístico
“sustentável e muito bem planeado e gerido”.“Após
a pandemia de covid-19, cada vez mais se vão procurar este tipo de
destinos, como os Açores, em que não existe turismo de massa. É muito
importante que os Açores mantenham este traço definidor: um destino onde
não existe turismo de massa, onde se valoriza o legado cultural e as
tradições e onde se valoriza a sua componente natural”, frisou.A
investigadora do Centro de Ciências do Mar da Universidade do Algarve
considerou, por isso, que a região deve expandir as suas áreas marinhas
protegidas, “fundamentais para a sustentabilidade de um setor”, que
agora se percebeu que “tem um impacto importante na economia do
ecoturismo marinho”.De acordo com o
estudo, publicado em 2022 e assinado por oito investigadores de
diferentes universidades, os turistas que praticam observação de
cetáceos, mergulho e pesca grossa nos Açores deixam cerca de 210 milhões
de euros, por ano, na economia do arquipélago.O
ecoturismo marinho é um “setor-chave para o crescimento azul”, mas tem
de haver um compromisso com a sustentabilidade destas atividades,
segundo Adriana Ressurreição.“É
fundamental que se deem alguns passos para contribuirmos para a
descarbonização do setor do turismo, por exemplo, que haja um maior
investimento ou que as empresas tenham possibilidade de aceder a
financiamento para haver reconversão de barcos, sejam elétricos ou
solares, para que se contribua para diminuir a pegada de carbono, que é
bastante acentuada no setor do turismo”, sublinhou.O
estudo que avaliou o impacto económico do ecoturismo marinho nos Açores
concluiu que a observação de cetáceos é a atividade com maior procura
na região, com cerca de 58 mil participantes por ano, mas o número de
licenças atribuídas aos operadores está limitado pela capacidade de
carga.“É importante que se mantenha, para
que não cause um impacto muito significativo nos golfinhos e nas
baleias”, ressalvou a bióloga.Com a
introdução do mergulho com tubarões nos Açores, o mergulho foi “uma das
atividades que mais cresceram nos últimos anos” na região e,
“provavelmente, nos próximos anos continuará a crescer”.“Naturalmente
estas atividades têm uma forte sazonalidade e, como só ocorrem nos
meses de verão, o seu crescimento está balizado pelo número curto de
meses em que elas podem ser realizadas”, apontou Adriana Ressurreição.Para
além de acautelar o impacto no ecossistema, o ecoturismo marinho deve
ter em contra, no seu crescimento, um compromisso com o bem-estar da
população, para não afetar “a qualidade de vida da comunidade
residente”, segundo a investigadora.O
Serviço Regional de Estatística dos Açores (SREA) fez inquéritos, em
2006 e 2018, para avaliar a perceção dos residentes ao crescimento do
turismo (em geral) na região.As conclusões
indicam que “ainda há uma perceção da população de que o turismo é
importante para alavancar a economia regional, que o dinheiro que é
gasto pelos turistas fica na região, ajuda no desenvolvimento económico
da região e ajuda a promover a sensibilização ambiental”.Ainda
assim, Adriana Ressurreição considerou que “é importante que se
continue a monitorizar qual é a perceção da comunidade residente em
relação ao turismo e em relação a estas atividades em particular”.