Atividades económicas ligadas ao mar são aposta para os próximos quatro anos
11 de nov. de 2019, 18:45
— Lusa/AO Online
Ricardo Serrão
Santos disse que na lista de prioridades estão as “energias renováveis
azuis” - produzidas a partir de bases no mar ou da energia dos oceanos
-, a aquacultura, onde as “algas são uma produção de futuro e pouco
impacto nas alterações climáticas” e as áreas marinhas protegidas. O
governante que falou aos jornalistas à margem de uma conferência na
Universidade do Algarve sobre o “stress” dos oceanos, considerou que
Portugal tem um desafio que é o de contribuir “para a governação dos
oceanos a nível global”.As pescas são
igualmente uma preocupação de Ricardo Serrão Santos, essencialmente a
sua sustentabilidade, daí o destaque dado à “criação do programa das
redes de áreas marinhas protegidas”, mas sempre procurando
compatibilizar “o melhor conhecimento científico com sustentabilidade
das comunidades pesqueiras”, essencial para gestão das quotas de pesca,
que tem sido um assunto delicado em todos os governos. Questionado
sobre a contestação dos pescadores que acusam o governo de gerir as
pescas apenas para cumprir orientações de Bruxelas, o ministro
discordou, afirmando que “muitas das recomendações para esta área” são
feitas pelo Conselho Internacional para as Pescas dos Oceanos, onde são
os países quem marca presença e não Bruxelas. “Nesta matéria são tidas em conta as contribuições dos nossos cientistas”, sublinhou. Ricardo
Serrão Santos acrescentou que as comunidades piscatórias fazem parte da
“economia e da cultura portuguesa”, por isso, as questões da gestão das
quotas “são sempre dialogadas com o setor”, defendendo a continuação
das compensações, “até porque, se a sustentabilidade dos recursos é
importante, também o é o das comunidades piscatórias”.No
rescaldo do estudo apresentado sobre a produção de investigação marinha
que coloca Portugal, nomeadamente as universidades do Algarve e dos
Açores no topo dessa lista, o antigo responsável pelo Departamento de
Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores destacou que vai
continuar a ser uma aposta do país.A
conferência internacional das Nações Unidas que vai decorrer em Portugal
em 2020 e a presidência portuguesa do Conselho Europeu em 2021, são,
segundo o ministro, oportunidades para que o país contribua para a
gestão partilhada do oceano global, essenciais para que continue “a dar
cartas e orientar as políticas globais do mar, para além das nacionais”.