Atividade económica em Portugal regista "forte redução" em março
Covid-19
20 de abr. de 2020, 12:28
— Lusa/AO Online
Segundo
a Síntese Económica de Conjuntura de março do Instituto Nacional de
Estatística (INE), “o indicador de clima económico registou de fevereiro
para março a maior redução da série, atingindo o valor mínimo desde
dezembro de 2014” e o indicador de confiança dos consumidores "registou
uma redução significativa face ao mês anterior, a maior desde setembro
de 2012 e atingindo o valor mínimo desde fevereiro de 2016”.“Esta
evolução deveu-se sobretudo às expetativas relativas à evolução da
situação económica do país, que registaram o valor mínimo desde dezembro
de 2013” na sequência da crise gerada pela pandemia de covid-19,
refere.De acordo com a informação hoje
divulgada, o indicador de clima económico diminuiu em março para os 1,8
pontos, face aos 2,2 pontos de fevereiro, enquanto o indicador de
atividade económica, disponível até fevereiro, diminuiu para 1,4 pontos
face aos 1,6 pontos de janeiro.Segundo o
INE, “todos os indicadores de confiança das empresas diminuíram em
março, assinalando-se em particular as fortes reduções no comércio e nos
serviços”.O indicador qualitativo do
consumo privado registou em março, face ao mês anterior, “a redução mais
intensa desde fevereiro de 2009, retrocedendo para valores observados
no final de 2014”.Já o indicador de
confiança da indústria transformadora diminuiu para o valor mais baixo
desde outubro de 2013, devido ao contributo negativo do saldo das
opiniões da procura global e sobretudo das perspetivas de produção,
tendo esta última componente apresentado o valor mais baixo desde
dezembro de 2012.Quanto ao indicador de
confiança da construção e obras públicas, “diminuiu nos últimos dois
meses, de forma mais significativa em março, interrompendo a tendência
crescente observada desde dezembro de 2012”, sendo que “a evolução do
indicador no último mês refletiu o significativo agravamento do saldo
das opiniões sobre a carteira de encomendas, uma vez que a componente
sobre as perspetivas de emprego apresentou um ligeiro aumento”.O
INE refere que “o indicador de confiança do comércio diminuiu de forma
acentuada em março, atingindo o valor mínimo desde dezembro de 2014”,
tendo esta evolução refletido o contributo negativo das perspetivas de
evolução da atividade e das opiniões sobre o volume de vendas.O
indicador de confiança dos serviços diminuiu, por sua vez, para o valor
mais baixo desde outubro de 2013, “em resultado do contributo negativo
de todas as componentes, destacando-se a evolução negativa das opiniões e
perspetivas sobre a evolução da carteira de encomendas”.O
indicador de Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF - investimento)
acelerou em fevereiro, suspendendo o perfil de abrandamento registado
desde maio, tendo esta aceleração resultado sobretudo do ligeiro
contributo positivo da componente de material de transporte, após ter
apresentado contributos negativos desde julho. No
mesmo sentido, verificou-se um maior contributo positivo da componente
de construção e um contributo negativo menos intenso da componente de
máquinas e equipamentos.Em termos
nominais, as exportações passaram de uma variação homóloga de 5,9% em
janeiro para 3,4% em fevereiro, ressalvando o INE que “o contexto atual
da pandemia covid-19 pode ter já perturbado, ainda que muito
parcialmente, os procedimentos de obtenção da informação primária
utilizada para obter as estimativas do comércio internacional de bens”.Já as importações nominais de bens registaram uma variação homóloga de 0,7% em fevereiro (-0,2% em janeiro).