Atividade do INEM mostra pressão operacional, mas falha no impacto clínico
Hoje 15:08
— Lusa/AO Online
Num
comunicado divulgado no dia em que se conheceu o relatório do Centro de
Orientação de Doentes Urgentes (CODU) e Meios de Emergência Médica de
2025, a ANTEM refere que o documento mostra a capacidade de resposta que
esteve indisponível, mas falha em “quantificar adequadamente o que essa
indisponibilidade significou para os doentes”.“Quantas
ocorrências ficaram sem o meio previsto? Quantos doentes críticos foram
afetados? Quanto tempo adicional esperaram? Quantas missões de SAV não
foram realizadas?”, questiona.O documento
mostra que a taxa de inoperacionalidade das Ambulâncias de Emergência
Médica (AEM) foi de 38,82% e que a taxa de operacionalidade das Viaturas
Médicas de Emergência e Reanimação (VMER) e dos helicópteros baixou
ligeiramente.Aponta ainda a falta de meios
humanos, sobretudo técnicos de emergência pré-hospitalar, que levou à
necessidade de 364.939 horas extraordinárias destes profissionais no ano
passado.A ANTEM critica ainda o facto de o
INEM apresentar uma taxa reduzida de reclamações “como evidência de
elevada qualidade”, sublinhando: “reclamações não são ‘outcomes’
clínicos”. “Nem a quantidade de atividade,
nem a operacionalidade, nem a satisfação permitem demonstrar,
isoladamente, segurança e eficácia clínica”, considera a ANTEM, para
quem faltam “indicadores nacionais robustos de sobrevivência, ‘outcome’
neurológico, mortalidade, ‘under-triage’, ‘over-triage’, eventos
adversos e impacto dos atrasos”.A este
respeito, diz ainda: “Um sistema pode estar ocupado, responder a milhões
de chamadas e mobilizar milhares de meios — e ainda assim não
demonstrar que está a produzir os melhores resultados clínicos
possíveis”.A associação considera ainda
que Portugal precisa de um relatório de desempenho do Sistema Integrado
de Emergência Médica, com dados que permitam perceber efetivamente o
efeito de toda esta atividade na saúde da população.“Há números suficientes para descrever o sistema. Faltam os números que permitam julgá-lo”, conclui.Segundo
o relatório hoje divulgado, mais de 26 mil doentes críticos não foram
socorridos pelo INEM com os meios mais adequados em 2025, ano em que a
taxa de paragem das AEM melhorou, mas ainda ficou acima dos 38%.Esta
taxa de inoperacionalidade deve-se sobretudo à falta de Técnicos de
Emergência Pré-Hospitalar (TEPH). Segundo o documento, o mapa de pessoal
previa 1.341 TEPH, mas apenas 1.003 lugares estavam ocupados no final
do ano passado, correspondendo a um défice de 338 profissionais,
aproximadamente 25% do quadro previsto.