Até ter respostas, a ACPA inicia protesto e paralisa compras de pescado
28 de out. de 2025, 10:05
— Daniela Arruda
A Associação de Comerciantes do Pescado dos Açores (ACPA) iniciou segunda-feira um protesto contra a aplicação das novas taxas sobre o transporte aéreo
de carga interilhas. A medida, considerada “injusta e insuportável para a
realidade económica regional”, segundo o vice-presidente da ACPA, Pedro
Amaral, levou à paralisação das compras de peixe, uma ação que, para
já, não tem data para terminar.Em causa está sobretudo a Taxa de
Raio-X, que começará a ser cobrada a partir de dia 1 de novembro e que,
segundo Pedro Amaral, nunca foi aplicada ao transporte interilhas de
pescado. A taxa tem o valor de 0,11 euros/kg com um mínimo de seis euros
por carta de porte. Além disso, as reivindicações da associação
abrangem também outras taxas anteriores, consideradas “insustentáveis”,
para as quais ainda não houve resposta de qualquer entidade oficial,
explicou o vice-presidente.Relativamente à nova Taxa de Raio-X, a
ACPA garante não ter recebido qualquer resposta à contraproposta enviada
à SATA e à Direção Regional da Mobilidade: “Não vimos qualquer tipo de
interesse em encontrar outra solução possível”, lamenta Pedro Amaral. A
associação sublinha que a paralisação não é contra o setor, mas uma
reação à “aplicação de taxas absolutamente incomportáveis” que penalizam
sobretudo as empresas regionais, e em particular as do pescado. O
vice-presidente rejeita ainda a existência de bloqueios nas lotas
açorianas, assegurando que as operações decorreram com normalidade:
“Quem quis comprar, comprou. O nosso protesto é ordeiro e tem um único
objetivo: que as taxas sejam revistas”, afirmou.A ACPA reivindica a
suspensão imediata da nova Taxa de Raio-X como sinal de abertura ao
diálogo: “Não somos contra os aumentos, mas eles têm de ser graduais e
adaptados à realidade das empresas regionais”, defendeu Pedro Amaral.Até
ao momento, não houve qualquer contacto oficial por parte das entidades
envolvidas. Assim, o vice-presidente afirma que o protesto continuará
“até haver um sinal de diálogo e negociação”, e reforça: “Esta é uma
luta que quer beneficiar todos e não apenas os comerciantes. É uma causa
que afeta toda a fileira”.