Ataques, sabotagens e contraofensiva aumentam alerta em Moscovo
Ucrânia
2 de mai. de 2023, 18:44
— Lusa/AO Online
"Estamos cientes de que o regime
de Kiev está por detrás de uma série de ataques terroristas e planeia
continuar as suas ações. Todos os nossos serviços especiais estão a
fazer tudo o necessário para garantir a segurança e um trabalho
intensivo está em andamento", disse o porta-voz da Presidência russa,
Dimitri Peskov.As autoridades russas já
fecharam a Praça Vermelha, onde será realizado o desfile por ocasião da
vitória soviética sobre a Alemanha nazi em 1945.Nos
últimos dias, aumentaram ataques e sabotagens nas regiões russas e na
Crimeia, ilegalmente anexada por Moscovo à Ucrânia em 2014.
Na madrugada de sábado, um ataque com um ‘drone’ provocou um incêndio
num tanque de combustível no porto de Sebastopol, base da Frota do Mar
Negro, descrito pela Ucrânia como "castigo de Deus" pela morte de mais
de 20 civis na cidade de Umán na última sexta-feira.Na
segunda-feira, dez vagões de um comboio com destino à Bielorrússia
descarrilaram na região de Briansk, na Rússia, na fronteira com a
Ucrânia, devido a um dispositivo que explodiu nos carris da ferrovia.No
mesmo dia, na região de São Petersburgo, foi aberta uma investigação
por suspeita de sabotagem na explosão de um poste de alta tensão.Por
questões de segurança, os desfiles militares russos nas regiões de
Kursk e Belgorod, na fronteira com a Ucrânia, bem como na Crimeia e
Sebastopol foram cancelados, mas o Kremlin decidiu manter o de Moscovo.A
Rússia tem tido escassos progressos no campo de batalha na Ucrânia
desde janeiro em Soledar, sendo Bakhmut a principal frente há largos
meses, com elevadas baixas de ambas as partes.O
próprio líder do grupo mercenário russo Wagner, Yevgeny Prigojin,
admite que a batalha por Bakhmut provoca uma média de cem mortes por
dia, indicando que a contraofensiva está para breve."O
Exército ucraniano está pronto para uma contraofensiva. Foi retardada
pelo mau tempo e talvez por alguns problemas internos que precisavam
resolver. Talvez em 09 de maio eles nos deem algum alívio, mas em 15 de
maio a ofensiva será a 100%", disse Prigojin.Nem a Rússia nem a Ucrânia divulgam números dos seus soldados mortos.A
Casa Branca disse no domingo que 20.000 soldados russos foram mortos na
Ucrânia desde dezembro, metade dos quais mercenários, e 80.000 ficaram
feridos.O Kremlin qualificou estes números
de "absolutamente fabricados", apontando, por sua vez, que o Exército
da Ucrânia “perdeu mais de 15.000 soldados” no último mês de combates,
“apesar da ajuda militar sem precedentes” por parte dos aliados de Kiev.O
ministro da Defesa ucraniano, Oleksii Reznikov, disse que "está tudo
pronto" para a contraofensiva e que agora só depende do Estado-Maior, do
comandante em chefe, Volodymyr Zelensky, e da sua equipa determinar
"como, onde e quando" iniciarão a operação, e que será “grande
importância” a continuidade do apoio dos parceiros ocidentais.Segundo
o ‘site’ independente Meduza, o Kremlin preparou um manual para os seus
agentes de propaganda, no qual pede que não subestimem publicamente a
contraofensiva ucraniana, no que pode ser interpretado como uma forma de
preparar a população para eventuais sucessos de Kiev.