Ataques financeiros online dispararam 233% durante pandemia de covid-19
5 de abr. de 2022, 11:49
— Lusa/AO Online
De
acordo com o novo Relatório de Crime Financeiro “The RiskOps Age”, que a
empresa publica hoje, o número de fraudes cresceu a um ritmo superior à
taxa de transações online legítimas, refletindo um aumento substancial
do risco. “Viver um estilo de vida digital
traz um mundo de conveniência, mas também oferece um ambiente de baixo
risco e elevada recompensa aos defraudadores”, considerou Jaime
Ferreira, vice-presidente de ciência de dados global da Feedzai. A
empresa comparou os dados de gastos e consumo antes e depois da
pandemia de covid-19, entre 2019 e 2021, e concluiu que, enquanto as
transações online cresceram 65%, a taxa de ataques fraudulentos disparou
233%. Um dos fenómenos identificados pela
Feedzai foi o de “esconder à vista”, em que os criminosos tentam passar
despercebidos em ambientes onde há um grande volume de transações de
baixo valor cada, o que não chama a atenção. Nas
plataformas de entretenimento digital, que experimentaram um salto
exponencial por causa do confinamento, a subida dos ataques fraudulentos
entre 2019 e 2021 foi de 794%. “É o
ambiente perfeito para os defraudadores se esconderem – num número
maciço de transações de baixo valor”, explicou Jaime Ferreira. O
executivo disse que, quando maior o número de transações, maior a
oportunidade dos defraudadores para testarem o uso de cartões roubados e
outros esquemas sem levantar suspeita. “Os
consumidores e os bancos precisam de prestar atenção a essas pequenas
transações fraudulentas antes de se transformarem em grandes montantes”,
alertou. As tendências aceleradas pela
situação pandémica, incluindo a mudança das transações em pessoa para
transações online, vieram aliar-se à abundância de dispositivos e contas
que cada pessoa tem, o que cria grandes quantidades de dados. Os
bancos podem usar esses pontos de informação para criarem serviços mais
personalizados, mas o risco de fraude aumenta em proporção. “Este é o
momento de ligar equipas e dados para prevenir fraude e oferecer
melhores experiências ao cliente”, considerou Jaime Ferreira. No
que toca a métodos, a fraude mais usada foi a invasão de conta (account
takeover), seguida da aplicação de esquemas de engenharia social e de
compras fraudulentas (em que os consumidores pagam por produtos ou
serviços que nunca lhes são entregues). A
usurpação de identidade e os esquemas de ‘smishing’ completam o top
cinco, sendo este último um tipo de fraude que chega por mensagem de
texto com hiperligações perigosas. Jaime
Ferreira mencionou um indicador interessante que adveio da análise aos
dados do Reino Unido – onde as fraudes bancárias são 50% mais comuns via
computador, telefone ou em pessoa que via aplicação móvel. “Podemos
estar viciados nos nossos aparelhos móveis, mas os defraudadores não
são tão bem-sucedidos por esse meio”, indicou o responsável. “O facto de
que os ataques foram 50% mais comuns quando os consumidores britânicos
acederam ao banco via computadores, telefones ou em pessoa é uma
indicação clara de que o dispositivo móvel é mais seguro no que toca ao
acesso bancário”. Ferreira considerou que
os consumidores “devem ser encorajados a usarem aplicações móveis
seguras ao invés dos seus computadores”. Para
prevenir ataques de engenharia social, que são os segundos ataques mais
usados, a Feedzai avisa os utilizadores que não devem abrir nem seguir
hiperligações enviadas por email ou SMS, devem ter os seus dispositivos
atualizados, usar autenticação de dois fatores e evitar fornecer
informação pessoal ou sobre o empregador a terceiros.