Astrónomos detetam num 'Júpiter quente' absorvente de calor parecido com ozono
13 de set. de 2017, 17:32
— Lusa/AO online
Os resultados da
descoberta da equipa internacional de astrónomos, incluindo o
astrofísico iraniano Mahmoudreza Oshagh, do IA e do Instituto de
Astrofísica da Universidade de Göttingen, na Alemanha, são publicados
hoje na revista científica Nature.O composto químico foi
encontrado, em pequenas quantidades, na atmosfera do WASP-19b, que é um
'Júpiter quente', um planeta com massa equivalente à de Júpiter, o maior
planeta do Sistema Solar, mas que orbita muito próximo da sua estrela,
sendo por isso extremamente quente (a temperatura do exoplaneta ronda os
2.000 graus Celsius).Por estar muito perto da sua estrela, o
WASP-19b demora apenas 19 horas a dar uma volta completa em seu redor (a
Terra demora um ano a fazer o mesmo em torno do Sol). "A
presença de óxido de titânio na atmosfera de WASP-19b pode ter efeitos
substanciais na estrutura e na circulação da temperatura atmosférica",
defendeu o astrónomo Ryan MacDonald, da Universidade de Cambridge, no
Reino Unido, citado num comunicado do Observatório Europeu do Sul,
organização astronómica da qual Portugal faz parte e cujo Telescópio
Muito Grande (Very Large Telescope, VLT) foi usado nas observações do
planeta.Num outro comunicado, o Instituto de Astrofísica e
Ciências do Espaço refere que, quando existe na atmosfera de um 'Júpiter
quente', o óxido de titânio "funciona como absorvedor de calor".Em
grandes quantidades, que não foram comprovadas no estudo, a substância
impede o calor de entrar ou escapar da atmosfera, levando a que a
atmosfera superior seja mais quente do que a inferior, o contrário do
normal. O ozono desempenha um papel semelhante na atmosfera da
Terra, onde provoca esta 'inversão térmica' na estratosfera (uma das
camadas da atmosfera terrestre), limitando a quantidade de radiação
solar ultravioleta que atinge a superfície e se torna um poluente nocivo
para a saúde na troposfera (camada mais baixa da atmosfera).A
deteção de óxido de titânio no WASP-19b foi feita por via indireta,
quando este planeta fora do Sistema Solar passou em frente à sua estrela
e uma parte da luz desta foi absorvida pela atmosfera do planeta.