Astrónomos descobrem "teia" de galáxias em torno de superburaco negro
1 de out. de 2020, 08:33
— Lusa/AO Online
A radiação destas galáxias viajou desde
praticamente a infância do Universo, quando este tinha 900 milhões de
anos e é a primeira vez que é observado um grupo deste tipo tão perto do
início de tudo, do chamado 'Big Bang'. Para
ajudar a visualizar a descoberta, os astrónomos descrevem-na como se as
galáxias estivessem presas numa “teia de aranha cósmica de gás que se
estende no espaço ao longo de uma dimensão de cerca de 300 vezes o
tamanho da Via Láctea”.“Os filamentos da
teia cósmica são como os fios de uma teia de aranha. As galáxias
permanecem e crescem nos sítios onde os filamentos se cruzam e correntes
de gás disponíveis para alimentar tanto as galáxias como o buraco negro
central supermassivo correm ao longo dos filamentos”, ilustrou o
astrónomo Marco Mignoli, do Instituto Nacional de Astrofísica italiano,
baseado em Bolonha. Das observações, os
cientistas pretendem compreender melhor como é que se formaram buracos
negros supermassivos como o que existe no centro da Via Láctea e como é
que estes se tornaram tão grandes.“A nossa
descoberta apoia a ideia de que os buracos negros mais distantes e
massivos se formam e crescem no seio de halos massivos de matéria escura
em estruturas de larga escala”, afirmou o astrónomo Colin Norman, da
universidade norte-americana Johns Hopkins, em Baltimore, coautor do
estudo publicado na revista Astronomy & Astrophysics Letters.Os
astrónomos só chegaram a estas galáxias, “das mais ténues que os
telescópios atuais conseguem observar” olhando várias horas através dos
maiores telescópios óticos que existem, incluindo o do Observatório.“Acreditamos
ter visto apenas a ponta do icebergue e pensamos que as poucas galáxias
que descobrimos até agora em torno deste buraco negro supermassivo
sejam apenas as mais brilhantes”, referiu Barbara Balmaverde, do
instituto italiano.