Astronauta em órbita tratado num caso inédito a uma trombose a partir da Terra
4 de jan. de 2020, 12:28
— AO Online/ Lusa
O caso, descrito na publicação New England Journal of Medicine e hoje citado pela agência noticiosa espanhola Efe, ocorreu quando o astronauta, cuja identidade foi omitida para respeitar a sua privacidade, estava há dois meses na EEI para cumprir uma missão de meio ano.É a primeira vez que é detetada uma trombose venosa profunda - formação de coágulos sanguíneos numa veia - num astronauta em órbita, pelo que não havia um método estabelecido para tratar o problema em condições de microgravidade, indicou em comunicado a Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, à qual está associado o médico Stephan Moll, um dos clínicos que acompanharam o caso.Na situação em apreço, o astronauta tinha um coágulo sanguíneo na veia jugular (do pescoço), tendo-lhe sido administrado um anticoagulante, que foi enviado por uma nave de transporte de carga dada a escassez do fármaco a bordo da EEI.O tratamento durou três meses, período em que o doente realizou ecografias ao pescoço sob a orientação de uma equipa de radiologia que estava na Terra.As comunicações entre o astronauta e o médico Stephan Moll faziam-se por correio eletrónico e telefone.Depois de regressar à Terra, o astronauta teve de suspender o tratamento durante quatro dias devido à grande exigência física da viagem. Depois disso, não necessitou de mais medicação.A trombose venosa profunda do astronauta era assintomática, pelo que foi detetada por acaso quando usava ultrassons para uma experiência sobre a redistribuição dos fluidos corporais em ambiente de microgravidade.O médico Stephan Moll, o único que não era da agência espacial norte-americana (NASA), considera que o caso levanta perguntas às quais é preciso dar resposta, sobretudo quando se pensa em missões espaciais humanas mais prolongadas, como regressar à Lua ou ir a Marte: O risco de trombose venosa profunda no espaço é elevado? Como minimizá-lo?