Associações temem pelo fecho de muitas escolas de condução
Covid-19
4 de mai. de 2020, 18:00
— Lusa/AO Online
As
1300 escolas de condução estão fechadas desde 16 de março devido à
pandemia de Covid-19 e um despacho, hoje publicado em Diário da
República, mantém a suspensão até pelo menos 18 de maio, data do início
das aulas, podendo os serviços administrativos reabrir a 11 de maio com
medidas de proteção. Em declarações à
agência Lusa, o vice-presidente da Associação Nacional de Escolas de
Condução Automóvel (ANECA), António Reis, disse que a reabertura vai
implicar “mais custos” e “mais encargos financeiros” para as escolas de
condução. António Reis estimou que muitas
escolas de condução possam vir fechar e que passe a existir “um aumento
considerável” do desemprego. “Cumprir
todas as exigências, todos os encargos e os próprios custo da retoma
indicam que vai haver muita dificuldade das escolas de condução
reabrirem em condições”, frisou, ressalvando que ainda está “na
expectativa de que os prejuízos não sejam tão elevados” e que “o setor
consiga ultrapassar esta grande dificuldade”. Segundo
o responsável, 68% das empresas recorreram ao 'layoff' e as restantes
32% não recorreram por diversos motivos, nomeadamente porque não
conseguiram reunir os documentos exigidos porque já se encontravam numa
situação muito débil.São precisamente estes 32% de escolas de condução que a ANECA teme que não voltem a abrir.A
ANECA já tinha pedido ao Governo a criação de linhas de crédito com
condições mais favoráveis devido à crise que está atravessar o setor do
ensino da condução.Sobre esta proposta, António Reis referiu que, até ao momento, ainda não obtiveram qualquer resposta.O
mesmo responsável sublinhou que a situação do setor já era difícil,
mas, com a reabertura, existirá um agravamento das condições financeiras
das escolas de condução.Segundo a ANECA,
quando os serviços administrativos reabrirem em 11 de maio só vai ser
possível atender presencialmente uma pessoa e é a partir desta altura
que vão ser criadas as medidas de proteção no espaço da escola de
condução.Em 18 de maio recomeçarão as
aulas teóricas que, segundo as recomendações da Direção-Geral da Saúde
(DGS), vão ter de obedecer ao distanciamento físico de dois metros entre
alunos, com um espaço reservado ao instrutor, além de que terão de ser
evitado os aglomerados de pessoas nas escolas de condução.António
Reis explicou que as aulas práticas estão previstas para começar a 25
de maio e os exames uma semana depois, mas tudo está sujeito a uma
avaliação.O mesmo responsável acrescentou
que nas aulas práticas só vão estar duas pessoas dentro do automóvel com
máscara e viseira, além de ter de ser feita a higienização do veículo
após a mudança de cada formando.“O que
implica uma reestruturação do horário, uma vez que as aulas de uma hora
vão deixar de ser compensadoras, vai ter que se aumentar o número de
horas para que o número de higienizações não seja tão frequentes”,
precisou, salientando o “agravamento da responsabilidade”.De
acordo o vice-presidente da ANECA, as escolas de condução vão ter um
aumento de custos muito considerável” com os equipamentos de proteção
individual, que rondará os 150 euros por candidato.Em
relação aos alunos que se encontravam a tirar a carta de condução antes
do fecho das escolas, este responsável explicou que existe um contrato
de prestação de serviços que terá de ser cumprido, pelo que não devem
fazer alterações dos preçários.Também a
Associação Portuguesa de Escolas de Condução chamou a atenção para os
problemas económicos, principalmente para as escolas de condução que não
conseguiram recorrer ao ‘layoff’, que são as de pequena dimensão.“Muitas delas vão fechar. Vão desaparecer”, disse à agência Lusa o presidente desta associação Alcino Cruz.