Associações preocupadas com aumento do risco de pobreza entre as crianças portuguesas
20 de nov. de 2024, 10:55
— Lusa/AO Online
Segundo
o Instituto Nacional de Estatística (INE), há “um aumento da taxa de
pobreza infantil – 347 mil crianças em risco de pobreza monetária (mais
44 mil do que no ano anterior)”, referem o subscritores de uma carta
aberta. A “taxa de risco de
pobreza infantil em 2023 foi de 20,7%”, correspondendo a um regresso
aos valores de 2017, o que coloca as crianças como o “grupo etário que
regista a maior taxa de risco de pobreza e também aquele em que se
observa uma evolução mais desfavorável deste indicador”, pode ler-se no
documento, assinado por peritos e por várias organizações, entre as
quais a Rede Europeia Anti-Pobreza, Instituto de Apoio à Criança e a
Cáritas Portuguesa.Os Objetivos de
Desenvolvimento Sustentável, de que Portugal é signatário, preveem uma
redução de 50% do número de crianças em situação de pobreza em relação a
2019 (360 mil). Contudo, “o cenário atual
não nos confere garantias de que em 2030 o país esteja a cumprir a meta
estabelecida”, referem os subscritores que criticam a falta de
articulação das “diversas estratégias que visam o bem-estar das
crianças”, em particular os projetos Garantia para Infância, da
Estratégia Nacional para os Direitos da Criança 2021-2024 ou da
Estratégia Nacional de Combate à Pobreza 2021-2030. O
problema, referem, tem várias causas, incluindo a “escassez de
rendimentos familiares (em regra associados aos salários baixos e
precariedade laboral), condições habitacionais precárias e pobreza
energética, desigualdades no acesso a uma educação de qualidade e
inclusiva, dificuldade no acesso a cuidados de saúde mental, perigos do
mundo digital/ exclusão digital, fenómenos migratórios, violência e
delinquência juvenil ou abusos”.Perante
este diagnóstico, os subscritores pedem mudanças políticas que assegurem
consequências positivas concretas para as crianças, com investimento em
projetos que coloquem os mais novos no centro de projetos de combate à
pobreza.Na carta é pedida uma “abordagem
baseada nos direitos da criança enquanto sujeito de direitos, como
sustentado pelo Comité dos Direitos da Criança, que seja clara,
integradora e coordenada da intervenção para o desenvolvimento de
políticas e programas que garantam o superior interesse das crianças”O
apelo foi divulgado no dia em que se comemoram 35 anos da adoção
da Convenção sobre os Direitos da Criança, e no âmbito do Grupo de
Trabalho da Pobreza Infantil, dinamizado pela Rede Europeia
Anti-Pobreza.