Associações militares criticam PSD, CDS, IL e PS após chumbo de revisão do complemento de pensão
Hoje 11:21
— Lusa/AO Online
Em
comunicado, a Associação de Oficiais das Forças Armadas (AOFA) lembra
que no passado dia 27 o parlamento chumbou iniciativas – apresentadas
por Chega e PCP - que visavam aumentar o complemento de pensão de
militares das Forças Armadas e GNR, e de pessoal das forças de
segurança, assegurando que a reforma correspondia a 90% do último
vencimento recebido.Para a AOFA, “uma
política de Defesa credível mede-se também pela capacidade de atrair,
motivar e reter militares qualificados”, sendo que o regime de reforma
“integra essa equação” e “ignorá-lo é comprometer a sustentabilidade
futura da instituição e ser responsável por isso”.“A
dignidade institucional dos militares das Forças Armadas não pode ser
tratada como variável orçamental ajustável. A confiança dos militares no
Estado não é um recurso inesgotável”, alerta. A
associação lamenta que “noutros setores do Estado, a valorização
remuneratória” surja como “prioridade assumida na procura dos
equilíbrios” mas que na Defesa a atenção se concentre “nos grandes
equipamentos militares e nos compromissos externos, como se as Forças
Armadas fossem compostas por sistemas, munições ou uniformes
desumanizados”.“Baseando-se em técnicas de
gestão de expectativas, numa primeira fase, promete-se reavaliar.
Depois sob o lema das inevitabilidades, remete-se para um próximo
orçamento ou invocam-se as habituais prioridades conjunturais, que
inevitavelmente colhem sempre os militares das Forças Armadas.
Entretanto, o tempo faz o seu trabalho silencioso: vai corroendo valor, o
moral e a atratividade para uma carreira repleta de exigências e
deveres, mas cada vez mais vazia de reconhecimento”, lamenta. Na
mesma linha, a Associação Nacional de Sargentos (ANS), salientou que as
alterações legislativas propostas foram rejeitadas “com os votos contra
dos partidos que sustentam o atual Governo, acompanhados por setores
que também lhe vão dando suporte político, e com a abstenção de quem,
alternando responsabilidades governativas ao longo dos anos, optou por
não assumir frontalmente a correção de uma injustiça que conhece bem, ou
não tivesse tido origem num governo dessa força política” – numa
referência ao PS.A associação alerta que
as condições de acesso e cálculo das pensões dos militares em vigor
“irão criar desigualdades gritantes no cálculo das pensões de reforma,
penalizando militares com carreiras longas e exigentes, gerando
incerteza e, em muitos casos, perdas muito significativas no momento da
transição para a reforma, com reduções que podem chegar a metade do
rendimento”.“Num tempo em que o discurso
político invoca a instabilidade geopolítica, a necessidade de reforço da
Defesa Nacional e a importância estratégica das Forças Armadas, e menos
de uma semana depois do encerramento formal de uma operação sem
precedentes que mobilizou milhares de militares, durante cerca de três
semanas, no apoio às populações fustigadas pelas intempéries que
assolaram o país, uma maioria de deputados manifesta o seu
«agradecimento» optando por manter um regime que fragiliza a confiança
no futuro de quem está sempre pronto a servir a pátria e o seu povo”,
criticam. Também em comunicado, a
Associação de Praças – que apenas faz referência aos projetos do PCP,
primeiros a ser apresentados – defende que a votação das iniciativas
demonstrou “quem de facto está a favor de tratamento igual entre
militares, e os que pretendem continuar a tratar os militares como sendo
um apêndice da sociedade, dividindo-os e discriminando-os consoante o
ano de entrada nas Forças Armadas”.“Será
necessário que o ministro da Defesa Nacional diga aos militares o que
pretende fazer para resolver esta questão tão importante para os homens e
mulheres que prestam serviço nas Forças Armadas, como para aqueles que
se pretende recrutar e reter nas fileiras, porque ao contrário do que se
vem dizendo, o recrutamento e a retenção não têm chegado para colmatar
as saídas”, realça a associação, que solicitou uma audição a Nuno Melo.