Associações LGBTI+ exigem conhecer parecer público de projetos sobre identidade de género
Hoje 15:03
— Lusa/AO Online
Numa
carta aberta dirigida à ministra da Cultura, Juventude e Desporto,
Margarida Balseiro Lopes, à secretária de Estado Adjunta e da Juventude e
da Igualdade, Carla Rodrigues, e à presidente da Comissão para a
Cidadania e Igualdade de Género (CIG), Carina Quaresma, as organizações
criticam a ausência de resposta a pedidos de audiência feitos desde
janeiro.No documento, as entidades exigem
uma tomada de posição pública por parte do Governo “do lado da ciência e
dos direitos humanos”, alertando para o que classificam como a
“primeira revogação de direitos humanos” desde o 25 de Abril.Exigem
igualmente a divulgação imediata de um parecer técnico produzido pela
CIG sobre os projetos de lei, cujo conteúdo, afirmam, permanece
desconhecido.Segundo o documento, as
associações solicitaram reuniões junto dos gabinetes governamentais após
a entrada no parlamento de projetos de lei apresentados por vários
partidos, que consideram ter “graves consequências” para pessoas trans e
intersexo.Apesar dos contactos enviados
em diferentes datas, as entidades afirmam não ter recebido qualquer
resposta até ao momento, mesmo após reforçarem os pedidos já em março,
numa fase em que o processo legislativo avançava.A
carta refere ainda que, numa reunião extraordinária do Conselho
Consultivo da CIG, em 13 de março, foi diretamente questionada a posição
da tutela sobre os diplomas, tendo sido indicado apenas que os pedidos
de reunião seriam respondidos “em devido tempo”.Perante
o silêncio institucional e a aprovação das propostas na generalidade,
as organizações manifestam preocupação com aquilo que consideram ser “um
retrocesso tremendo” nos direitos das pessoas LGBTI+, sublinhando a
responsabilidade do Governo na implementação de políticas de igualdade e
não discriminação.As associações recordam
que diversas ordens profissionais, sociedades científicas e
especialistas já se pronunciaram publicamente contra os diplomas,
defendendo que estes contrariam evidência científica e compromissos
assumidos por Portugal.As entidades
defendem que a ausência de posicionamento claro por parte das
autoridades responsáveis pela área da igualdade fragiliza a confiança
das comunidades afetadas e dificulta a resposta institucional a
situações de discriminação.A carta surge
num contexto de crescente contestação às propostas em debate no
parlamento, que seguem agora para discussão na especialidade,
mantendo-se a expectativa de alterações antes da votação final global.A
carta é assinada por 29 organizações: AMPLOS, Associação para o
Planeamento da Família, Arco-íris em Bragança, As Cores dos Açores,
Associação TransParadise, Bialogar – Podcast de Visibilidade Bissexual,
Braga Fora do Armário , GAT Portugal, Guimarães LGBTQIA+, Guimarães Pela
Liberdade, Guimarães Pela Palestina, Headbangers Antifascistas, ILGA
Portugal, Marcha do Orgulho de Guimarães, Movimento Virgínia Moura,
Núcleo Antifascista Guimarães, Opus Diversidades, Opus Gay Madeira, PATH
- Plataforma Anti-Transfobia e Homofobia de Coimbra, Plataforma Artigo
65, Plataforma TransParente, Queer Tropical, rede ex aequo - associação
de jovens LGBTI e apoiantes e Transmutar - Rede Ativista.