Associações de cinco países sensibilizam jovens para as potencialidades do mar
19 de fev. de 2020, 17:07
— Lusa/AO Online
“Os
Açores são nove ilhas e aquilo que nós notamos é que as nossas
comunidades vão tendo sempre alguma dificuldade em aproveitar as
potencialidades associadas ao mar. Foi esse o mote para este projeto”,
adiantou o presidente da Associação Juvenil da Ilha Terceira
(AJITER), Décio Santos, numa conferência de imprensa em Angra do
Heroísmo.O projeto Sail4employment, orçado
em 50 mil euros e financiado pelo programa comunitário para a
mobilidade juvenil, Erasmus+, através da Agência Nacional Juventude em
Ação, é coordenado pela AJITER, mas conta com a colaboração de quatro
outras associações: a Sail Training Association of Latvia, da Letónia, a
Associazione Europalmente, de Itália, a SNUPU, da Finlândia, e a ATYLA,
de Espanha.Numa primeira fase, estas
associações vão formar 12 animadores de juventude (dois da ilha
Terceira) a bordo do navio Spaniel, da associação da Letónia, entre 30
de março e 06 de abril, em Tenerife, nas Canárias (Espanha). “Estes
animadores de juventude vão aprender como serem eles próprios
multiplicadores deste interesse pelo mar e de uma nova sensibilidade
para as potencialidades do mar”, frisou Décio Santos. A
segunda fase do projeto terá lugar já em terra, na ilha Terceira,
durante 10 dias, numa data ainda a definir, e será destinada a 27 jovens
das cinco regiões envolvidas, entre os 14 e os 30 anos, “que não se
encontram enquadrados nos sistemas de ensino, formação ou trabalho”.“Vai
haver um programa de atividades, algumas delas relacionadas com o mar,
envolvendo parceiros locais que atuam nessa área, e que pretendem
sensibilizar as pessoas para as potencialidades que o mar tem na criação
de emprego e dar-lhes os conhecimentos para utilizarem os recursos
existentes”, revelou o presidente da AJITER.Segundo
Décio Santos, o objetivo é “promover as potencialidades do mar para a
criação de novos serviços turísticos por jovens” e dar a conhecer os
mecanismos existentes, como por exemplo, os fundos comunitários
existentes para apoio a investimentos nesta área.Há
mais de 20 anos que a Sail Training Association of Latvia dá formação
em vela a jovens na Lituânia, o que segundo Sintija Lase é uma
experiência que vai para além dos ensinamentos técnicos. “Não
é habitual estes jovens passarem uma semana num barco de formação em
vela, a viver em conjunto. Eles acabam por desenvolver algumas
competências não só sobre como velejar, mas sobre como viver em
comunidade”, salientou.Segundo a dirigente
da associação lituana, os jovens acabam por adquirir competências úteis
na integração do mercado de trabalho.“Ao
longo dos anos, temos verificado que existe um impacto positivo. Não é
só entrar num barco e ir para o mar. Tem impacto na forma como as
pessoas se desenvolvem, nas competências interpessoais que elas ganham,
na forma como reagem em situações de conflito, na forma como trabalham
em equipa e em algumas competências práticas como cozinhar, limpar,
serem pontuais...”, referiu. Neste
projeto, para além da experiência a bordo do veleiro, os participantes
vão discutir as potencialidades do mar e trocar ideias sobre possíveis
negócios. “Vemos o mar como um recurso
importante para muitas atividades ligadas ao turismo ativo, algumas que
possivelmente ainda nem foram descobertas. É uma forma de explorar o que
podemos fazer”, destacou Sintija Lase.