Associações de ambiente exigem “medidas imediatas” para compensar voos noturnos em Lisboa
18 de out. de 2022, 10:54
— Lusa/AO Online
A Zero, a Quercus e
a Geota reclamam “medidas compensatórias para os cidadãos de Lisboa e
Loures, os quais devem ser imediatamente ressarcidos pela pena adicional
a que vão ser sujeitos durante as próximas seis semanas”, avançam as
ONGA em comunicado.Em causa está uma
portaria do Governo hoje publicada em Diário da República a autorizar
mais voos noturnos no aeroporto de Lisboa a partir de terça-feira e até
28 de novembro, para mudar o sistema de gestão de tráfego aéreo.O
diploma cria um regime excecional relativo à operação de aeronaves no
Aeroporto Humberto Delgado durante o período temporal "estritamente
necessário para assegurar o processo de mudança de sistema de gestão de
tráfego aéreo, tendo início no dia 18 de outubro e não se prolongando
para além" do dia 28 de novembro de 2022.Depois
de reunirem com a NAV Portugal, a autoridade da navegação aérea, e com o
secretário de Estado das Infraestruturas, as associações ambientalistas
defendem a implementação das medidas previstas no Plano de Ações de
Gestão e Redução de Ruído para o Aeroporto Humberto Delgado, aprovado
pela Agência Portuguesa do Ambiente.A
concretização dessas medidas, de acordo com a Zero, Quercus e Geota, é
uma “obrigação da legislação nacional e europeia”, as quais, porém, “não
estão a ser aplicadas pela ANA Aeroportos, mesmo apesar da sua fraca
ambição”.Além disso, as ONGA preconizam
“medidas compensatórias” para os cidadãos, como a avaliação do impacte
associado aos movimentos de jatos privados, a implementação imediata das
obras de isolamento dos edifícios onde se situam recetores sensíveis ao
ruído e a criação de canais para os cidadãos reclamarem do ruído
excessivo em sítios ‘online’ oficiais.Além
destas medidas, defendem a publicação dos mapas de ruído e que a
publicitação dos relatórios semanais sobre voos noturnos, como previsto
na portaria hoje publicada, seja mantida após o seu período de vigência.As
associações pretendem também a realização de uma avaliação de
impacto ambiental às obras previstas na Portela e de um estudo oficial
sobre o impacto do ruído com origem no tráfego aéreo na saúde e
bem-estar dos cidadãos de Lisboa e Loures e os seus custos económicos.“As
organizações não-governamentais de ambiente que subscrevem este
comunicado apelam desde já à futura Comissão Técnica Independente para o
novo aeroporto de Lisboa que tenha em conta os prejuízos provocados
pela manutenção do Aeroporto Humberto Delgado na Avaliação Ambiental
Estratégica que se iniciará em breve”, salienta ainda o comunicado.O
limite de voos noturnos é derrogado pela portaria, permitindo a
operação de aeronaves no Aeroporto Humberto Delgado entre as 00:00 e as
2:00 e entre as 5:00 e as 6:00, não sendo estes movimentos aéreos
contabilizados, mas os movimentos aéreos têm limites máximos semanais.Na
primeira semana, entre 18 e 23 de outubro, não podem exceder 168, na
segunda semana 86 voos, na terceira 75, na quarta 45, na quinta 30 e na
última semana, entre 21 e 28 de novembro, mais 20 voos.A
portaria introduz ainda a obrigação de comunicação à população,
informando sobre a urgência e excecionalidade do processo, a duração
temporal máxima da derrogação, a identificação das zonas sobrevoadas,
relatórios semanais com indicação do número de voos abrangidos pela
derrogação e as medidas de mitigação adotadas conducentes ao controlo
das operações e desempenho das aeronaves.