Associações criticam propostas para eliminar conceito de violência obstétrica
9 de jul. de 2025, 17:44
— Lusa/AO Online
Para as 23 associações que
assinaram o documento, a eliminação do conceito de violência obstétrica
da lei que foi aprovada em março deste ano, e que será discutida na
próxima sexta-feira, é também “ignorar as vozes das mulheres, é proteger
práticas desumanas, é perpetuar a normalização do sofrimento” e pedem
que a Assembleia da República rejeite as propostas do CDS-PP e do PSD.De
acordo com este grupo de associações, da qual fazem parte o
Observatório da Violência Obstétrica (OVO) e a União de Mulheres
Alternativa e Resposta (UMAR), a integração do conceito de violência
obstétrica foi o resultado de denúncias, estudos, relatórios e,
sobretudo do testemunho corajoso de milhares de mulheres que foram
silenciadas durante demasiado tempo”.Na
próxima sexta-feira, será discutido o diploma do CDS-PP, entregue no mês
passado, que visa revogar a lei 33/2025, publicada em 31 de março, que
“promove os direitos na gravidez e no parto”, e que foi aprovada em
março passado com os votos contra do PSD, CDS-PP e a abstenção do Chega e
da Iniciativa Liberal.No mesmo dia, será
também debatido um diploma do PSD sobre a mesma matéria, que retira da
lei o conceito de violência obstétrica, entendendo que é "excessivamente
lato e indesejavelmente vago".No segundo
artigo da lei, são considerados como violência obstétrica os atos
físicos e verbais exercidos por profissionais de saúde que tenham como
base um comportamento desumanizado, abuso de medicalização ou
"patologização dos processos naturais, desrespeitando o regime de
proteção", desde a preconceção até ao nascimento.Esta
lei permitiu também a criação de um enquadramento legal para a
episiotomia [um corte no períneo para ampliar o canal de parto],
promovendo a sua erradicação como prática rotineira, tal como preconiza a
Organização Mundial de Saúde. De acordo
com o diploma, a realização de episiotomias "de rotina e de outras
práticas reiteradas não justificadas" poderiam resultar em inquéritos
disciplinares aos profissionais de saúde ou em penalizações no
financiamento dos hospitais. O PSD pretende revogar este artigo.Perante
estas propostas, as várias associações consideraram que deve ser
promovido um diálogo sério para melhorar a lei, em conjunto com
associações e profissionais de saúde. “Só com escuta ativa e colaboração
é possível melhorar a lei e garantir melhores cuidados para todas as
mulheres”, lê-se na carta aberta.