Associação Zero lamenta apoios a festivais para práticas ambientais que deviam ser obrigatórias
6 de abr. de 2023, 07:15
— Lusa/AO Online
“Festivais de música e outros eventos
voltam a ser apoiados pelo Fundo Ambiental para incentivar a adoção de
boas práticas ambientais, que deviam ser obrigatórias”, diz a associação
num comunicado.No documento a Zero exige
que essas boas práticas sejam obrigatórias na lei que regula o
funcionamento dos espetáculos de natureza artística. E diz que a lei tem
de ser revista com urgência.“Num contexto
em que os grandes desafios ambientais exigem da sociedade uma resposta
urgente e assertiva, afigura-se incompreensível que os poderes públicos
tardem em criar as condições, via regulamentação, para tornar
obrigatórias ações básicas de minimização dos impactos ambientais
decorrentes destes eventos”, salienta a Zero.A
associação afirma-se mesmo perplexa por ter constado que depois de
gastar 1,7 milhões de euros em apoios nos anos 2017, 18 e 19, o Fundo
Ambiental ir atribuir agora mais 600 mil euros de dinheiros públicos
para que eventos e espetáculos implementem medidas básicas de uso
eficiente de recursos que já deviam ser obrigatórias.Segundo
o regulamento publicado em Diário da República, que aprova o “Programa
Sê-lo Verde 2023”, os apoios podem ir entre 20 e 40 mil euros, consoante
o número de espetadores. Os candidatos
terão por exemplo de garantir que será assegurada a recolha seletiva de
resíduos no recinto do espetáculo, que haverá locais para recolha de
pontas de cigarro e que será disponibilizada água potável não
engarrafada no evento.Em vez destes
apoios, acrescenta a Zero, a solução é alterar a lei que regula o
funcionamento dos espetáculos de natureza artística e a instalação e
fiscalização dos recintos fixos destinados à sua realização, para que os
promotores tenham de adotar essas medidas que surgem no anúncio do
Fundo Ambiental.Os ministérios do Ambiente
e da Cultura devem desde já iniciar a revisão da lei, para que ela seja
aplicada já em 2024, considera a associação.