Associação Zero apela ao Governo para avançar com moratória à mineração em mar
8 de jun. de 2024, 19:08
— Lusa/AO Online
No dia em que
se assinala o Dia Mundial do Oceano, a Zero lembra que em outubro de
2023, a “Assembleia da República aprovou o Projeto de Lei n.º 230/XV/1,
que impunha uma moratória à mineração em mar profundo nas águas
portuguesas até 2050”.No entanto, quando o
texto se preparava para ser discutido em detalhe na comissão
parlamentar correspondente, o Governo liderado por António Costa (PS)
caiu, logo a “iniciativa caducou, não entrando em vigor”.A
Zero lamenta que o atual Governo, liderado por Luís Montenegro (Aliança
Democrática) ainda não se tenha posicionado “clara e definitivamente
sobre o tema”, nem declarado “uma moratória para toda a sua Zona
Económica Exclusiva (até às 200 milhas náuticas), o que salvaguarda uma
parte significativa do território marítimo europeu”. “Além
disso, uma vez que Portugal se encontra em processo de extensão da
plataforma continental, até haver veredicto, essa proteção
estender-se-ia até às 350 milhas náuticas”, destaca ainda a Zero.Para
a associação “é imprescindível” que a “Assembleia da República retome a
iniciativa legislativa não concluída em 2023, para que a moratória
assuma a forma de Lei, com caráter vinculativo pelo menos até 2050, e
assim fique mais ‘blindada’ face às dinâmicas dos futuros ciclos
políticos”.Segundo a Zero, atualmente,
“pouco mais de 8% do oceano se encontra protegido em Portugal”, mas não
dispõem de “mecanismos que permitam gerir e monitorizar eficazmente as
suas áreas, abrindo espaço para atividades que comprometem a integridade
dos ecossistemas”. A Zero desafia, na
mesma nota, todos os Estados-Membros da União Europeia “a implementarem
uma moratória ou pausa à exploração mineira nas águas sob a sua
jurisdição”.Apela também a Portugal para
que apoie, “firmemente, uma moratória internacional ao início da
atividade mineira até que os efeitos da extração sejam profundamente
estudados e se garanta que isso não trará consequências negativas para a
biodiversidade”.Para a Zero, a mineração
em mar profundo “não é, de todo, compatível com a Agenda 2030 para o
Desenvolvimento Sustentável nem com os Objetivos de Desenvolvimento
Sustentável 14”.